Início » Pesquisa qualitativa põe Simone como “fator surpresa” e maior ameaça à reeleição de Tarcísio

Pesquisa qualitativa põe Simone como “fator surpresa” e maior ameaça à reeleição de Tarcísio

por Redacao
0 comentários

Ministra é a maior ameaça à reeleição de Tarcísio, segundo pesquisas qualitativas – Foto: Arquivo

Pesquisas qualitativas apontam que a ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (MDB), como “fator surpresa” e a maior ameaça à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos). Ela tem imagem positiva entre os eleitores paulistas e empata com o bolsonarista quando o eleitorado é lembrado que o maior estado brasileiro nunca foi governador por uma mulher.

Os dois levantamentos foram citados pelo jornal O Estado de São Paulo nesta segunda-feira (19) e mostram que cresce a pressão para que a ministra troque de domicílio eleitoral, de Mato Grosso do Sul por São Paulo, e também de posto na disputa, o Senado pelo Palácio Bandeirantes.

O levantamento foi conduzido pelo cientista político Jairo Pimentel, da consultoria Quanti.Lab, e indica impactos diretos sobre o atual governador Tarcísio de Freitas, que já sinalizou a intenção de buscar a reeleição. A pesquisa quantitativa ouviu mil eleitores por telefone entre os dias 22 e 23 de dezembro de 2025 e não foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

De acordo com o estudo, cerca de 40% dos entrevistados desconheciam que o Estado jamais foi comandado por uma mulher. Quando informados sobre esse histórico, aproximadamente um quarto afirmou que o dado influenciaria sua escolha eleitoral. A comparação entre os cenários antes e depois da informação revelou queda no desempenho de Tarcísio e avanço de Simone, especialmente entre as mulheres, grupo no qual a ministra chega a empatar tecnicamente com o governador. A deputada federal Erika Hilton (Psol) também apresentou crescimento, embora em patamar inferior.

Segundo Jairo Pimentel, a informação funciona como um elemento decisivo no processo de escolha do eleitor. “É uma informação bastante valiosa, um atalho informacional na decisão de voto, especialmente entre as mulheres. Isso pode pesar ao longo da campanha. Se Simone for candidata e se apresentar a partir do fato de que São Paulo nunca teve uma governadora, cria-se um apelo de identidade. Hoje, ela ainda é pouco conhecida pela maior parte do eleitorado, mas esse fator histórico pode gerar tração, sobretudo entre as mulheres”, afirmou.

Paralelamente, um estudo qualitativo coordenado por Nilton Tristão, diretor da GovNet & Opinião Pesquisa, analisou em profundidade a reação do eleitorado a candidaturas fora do espectro tradicional, com foco especial em nomes femininos. Encomendadas por apoiadores da ministra que preferiram não se identificar, as pesquisas não partiram de iniciativa direta de Simone, que não vem se articulando publicamente para disputar o governo paulista.

Os dados qualitativos mostram que a imagem de Tebet é majoritariamente positiva: 48% dos participantes a avaliaram de forma favorável, 28% disseram ter dificuldade em julgá-la e 24% manifestaram opinião negativa. O resultado sugere baixa rejeição, mas aponta o desconhecimento como principal obstáculo.

Quando estimulados a citar mulheres com potencial para governar São Paulo, 65% mencionaram algum nome. Simone foi lembrada espontaneamente por 15%, seguida pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), com 10%, e pela deputada federal Tabata Amaral (PSB), com 8%.

Nilton Tristão observa que parte dos entrevistados projeta na ministra atributos específicos. Segundo ele, Simone foi percebida como uma “liderança competente, empática e conciliadora”, associada à mulher que “pensa, organiza e conduz com equilíbrio e decoro os interesses públicos”. No levantamento, 60% afirmaram que aceitariam votar nela para governadora, incluindo eleitores decididos, parcialmente decididos e volúveis.

A eventual candidatura também dialoga com outro dado central da pesquisa quantitativa: a maioria dos eleitores paulistas deseja algum grau de mudança na condução do governo estadual, ainda que de forma parcial e segura. Esse sentimento é mais intenso entre as mulheres, o que, segundo Pimentel, favorece a ministra. “O eleitor paulista quer mudança, mas não uma mudança radical; quer uma mudança segura”, disse o pesquisador, acrescentando que essa noção de segurança está ligada à experiência administrativa.

Um problema para Simone é que, caso seja associada ao PT, a rejeição sobe. Ela tem potencial maior que os ministros da Fazenda, Fernando Haddad (PT), e do Desenvolvimento Econômico e atual vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB).

A ministra não se pronunciou publicamente sobre a candidatura em São Paulo, mas tem insistido que o seu projeto é disputar o Senado por Mato Grosso do Sul. No entanto, ela deixa claro que a decisão final será do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que deverá bater o martelo até o fim do mês. ojacare

 

Você Pode Gostar

Deixe um Comentário