
Trabalhadores da Santa Casa protestam em frente ao hospital contra o atraso do 13º salário e o parcelamento do benefício – Foto: Reprodução
Alir Terra, presidente da Santa Casa de Campo Grande, admite o desequilíbrio financeiro do hospital e uma dívida de R$ 100 milhões acumuladas, sendo R$ 12 milhões de déficit mensal. Nesta segunda-feira (22), a unidade enfrenta um colapso de atendimento diante da paralisação da enfermagem e de outros setores.
Durante a coletiva de imprensa realizada nesta manhã, Alir atribui a inadimplência à falta de reajuste nos contratos com a Prefeitura de Campo Grande e com o Governo do Estado. Agora, a administração busca um empréstimo para arcar com as dívidas.
“Para ajustar o contrato, falta a Prefeitura e o Governo do Estado olharem para as reivindicações do hospital. Estão reunindo com a Procuradoria-Geral de Justiça. Não podemos obrigar o poder público a tomar uma decisão, mas recorremos ao Judiciário.”
13° salário atrasado
Enfermeiros da Santa Casa de Campo Grande protestaram pelas ruas do Centro após votar por unanimidade a paralisação da categoria, na manhã desta segunda-feira. Com isso, cerca de 70% da equipe será reduzida e apenas 30% estarão atuando nos setores. O hospital enfrenta um colapso financeiro, que reflete no pagamento do 13° salário de todos os funcionários, desde médicos até o setor administrativo.
Lázaro Santana, presidente do Siems (Sindicato dos Trabalhadores na Área de Enfermagem de Mato Grosso do Sul), informou que a categoria recusou a proposta inicial de parcelamento do 13° em três vezes. A proposta previa o pagamento entre janeiro e março de 2026.
“Nós fomos comunicados que o hospital não tem dinheiro para pagar o trabalhador. Segundo a administração, estavam aguardando um aporte financeiro de R$ 9 milhões do Governo do Estado. Esse dinheiro pagaria 95% dos trabalhadores. Na reunião, votamos o indicativo de paralisação. Nesse período, com o número de 30% nas mobilizações”, descreve.
Crise financeira
Na última sexta-feira (19), a Santa Casa informou que, em anos anteriores, o Governo do Estado aportava a 13ª parcela da contratualização a todos os hospitais filantrópicos de MS. Contudo, neste ano, informou que não haverá o repasse.
“O secretário de Saúde, Dr. Mauricio Simões, informou à Fehbesul [Federação das Filantrópicas] que fará o repasse em três parcelas, nos meses de janeiro, fevereiro e março. A Santa Casa transmitiu a informação aos sindicatos e seguirá buscando outros meios para solucionar a questão, mas, até o momento, sem previsão.”
“Há anos o Governo do Estado vinha repassando a competência do contrato dele, e nós sempre usamos para pagar o 13? salário. Este ano, o Governo do Estado disse que não vai passar. A Santa Casa reconhece a legitimidade do movimento, mas os recursos são finitos e o nosso problema está na falta do equilíbrio econômico-financeiro do contrato”, disse Alir Terra, presidente da Santa Casa. Fonte: Midiamaxuol

