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Ministro diz que grupo que desviou R$ 10 milhões de merenda fraudava licitações com ‘naturalidade’

por Redacao
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Filho de prefeito, empresários e ex-servidores são acusados de fraudar licitações em Água Clara e Rochedo – Foto: REprodução

Ao negar pedido de liberdade a três dos 11 investigados por desvios de R$ 10 milhões na educação dos municípios de Água Clara e Rochedo, o ministro do STJ (Superior Tribunal de Justiça), Carlos Cini Marchionatti, destacou que o grupo fraudava licitações com “habitualidade”, “normalidade” e “naturalidade”.

Assim, o magistrado mantém presos Fernando Passos Fernandes, filho do prefeito de Rochedo, o empresário Fabrício da Silva e o servidor municipal Renato Franco do Nascimento.

A defesa do trio já recorreu da decisão. O recurso está ‘nas mãos’ do relator para apreciar os novos argumentos e avaliar o pedido.

O trio já havia tido liminar (decisão provisória) negando o HC (habeas corpus) pelo mesmo ministro, em abril.

Eles e outros oito investigados — entre empresários, secretária de Finanças, filho de prefeito e servidores — foram presos durante a Operação Malebolge, deflagrada em 18 de fevereiro pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado) e Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção), que apurou esquema de desvios de R$ 10 milhões na saúde e educação nos municípios de Rochedo e Água Clara, ambos administrados pelo PSDB.

Todos os investigados chegaram a ser soltos após decisão liminar (provisória) do relator do HC (habeas corpus) solicitado pela defesa dos acusados no TJMS. No entanto, os demais desembargadores da 3ª Câmara Criminal divergiram e votaram pela prisão dos envolvidos.

Dessa forma, todos os 11 implicados no esquema voltaram a ser presos no fim de março.

Na Justiça estadual, o empresário Mauro Mayer informou que está encerrando as atividades da sua empresa, a Zelitec Comércio de Produtos Alimentícios, para convencer os magistrados a livrá-lo da prisão.

Investigados

Entre os investigados estão o filho do prefeito de Rochedo, Fernando Passos Fernandes, que ocupava cargo na diretoria de licitações do município, além de Denise Rodrigues Medis, ex-secretária de Finanças de Água Clara.

Ademais, confira outros nomes apontados no esquema de corrupção:

  • Douglas Geleilaite Breschigliari – empresário, dono da D&B Comércio Atacadista de Confecções;
  • Mauro Mayer da Silva – empresário, dono da Zellitec Comércio e Serviços;
  • Izolito Amador Campagna Júnior – empresário, dono da I.a. Campagna Junior & Cia LTDA;
  • Luciana Mendes Carneiro – empresária;
  • Fabrício da Silva – empresário, dono de um Cyber Café que prestaria serviços para a prefeitura de Rochedo;
  • Renato Franco do Nascimento – servidor municipal, atua na Diretoria de Licitações;
  • Celso Souza Marques – servidor de Rochedo; e
  • outros dois servidores municipais de Água Clara.
  • Operação ‘Malebolge’

    Operação deflagrada pelo Gaeco e Gecoc teve como objetivo cumprir 11 mandados de prisão preventiva e 39 de busca e apreensão. Então, os mandados foram cumpridos em Campo Grande, Água Clara, Rochedo e Terenos.

    Segundo nota oficial, o grupo especial do MPMS apontou que empresário comandava esquema que fraudou contratos ultrapassando os R$ 10 milhões nos municípios de Água Clara, administrado por Gerolina Alves (PSDB), e Rochedo, cujo prefeito é Arino Jorge (PSDB).

    Assim, as investigações apontaram que o esquema contava com pagamento de propinas a servidores para fraudar licitações, principalmente na área da educação.

    Por fim, “Malebolge”, termo que dá nome à operação, é uma referência à Divina Comédia, obra clássica de Dante Alighieri, que descreve a jornada de um homem pelos reinos do inferno, purgatório e paraíso. Dentro do inferno, o “Malebolge” é a região onde punem os fraudadores e corruptos conforme a gravidade de seus pecados. Fonte: Midiamaxuol

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