
Ex-diretor da Agereg, Odilon de Oliveira, fala à CPI do Transporte; ao lado dele na mesa estão os vereadores Maicon Nogueira (PP) e Luiza Ribeiro (PT) – Foto: Osmar Veiga
Durante depoimento na CPI do Transporte, nesta quarta-feira (21), o ex-diretor da Agereg (Agência de Regulação dos Serviços Públicos Delegados de Campo Grande), Odilon de Oliveira Júnior, revelou ter identificado uma movimentação financeira suspeita na contabilidade do Consórcio Guaicurus. Segundo ele, foram repassados cerca de R$ 20 milhões para uma empresa que não integra formalmente o consórcio, a Viação Cidade dos Ipês.
“Olhando a contabilidade do consórcio, notei um investimento em uma empresa estranha ao próprio consórcio”, afirmou Odilon aos vereadores. Diante da suspeita, solicitou uma análise técnica da equipe da agência, que confirmou os repasses milionários.
A investigação começou após um questionamento da prefeita Adriane Lopes (PP) sobre a atuação da Agereg. Segundo Odilon, ao aprofundar a fiscalização dos contratos, percebeu a movimentação financeira atípica e pediu um levantamento preliminar para verificar se aquela operação era permitida.
Sem equipe suficiente para uma auditoria, firmou parceria com a Controladoria-Geral do Município, que cedeu dois servidores para auxiliar na análise. “Os servidores da Controladoria fizeram um relatório preliminar. Como não havia processo formal aberto na época, tudo corria ainda na informalidade. Esse relatório apontou que, no período analisado, os valores transferidos somaram cerca de R$ 20 milhões”, relatou.
Odilon destacou que os próprios técnicos poderiam detalhar melhor a operação, já que ele não tem formação na área contábil. Outro levantamento, feito pelo então diretor municipal, confirmou que a empresa Cidade dos Ipês, destinatária dos recursos, não fazia parte do rol de empresas que compõem o Consórcio Guaicurus.
A empresa existe, tem CNPJ, mas o endereço é o mesmo da Viação São Francisco, na Euler de Azevedo. Oficialmente, o Consórcio é formado pelas empresas: Viação Cidade Morena Ltda (empresa Líder), Viação São Francisco Ltda, Jaguar Transporte Urbano Ltda e Viação Campo Grande Ltda, conforme dados atualizados no site do grupo.
Diante da gravidade de suposta empresa fantasma recebendo repasses de verbas publicas municipais, e reconhecendo suas limitações técnicas para aprofundar a apuração, Odilon disse que levou o caso diretamente à prefeita, em uma reunião realizada em julho de 2024. Porém, ele foi substituído por José Mário Antunes em janeiro deste ano e garante não saber qual o andamento da denúncia.
O Campo Grande News questionou a gestão municipal sobre essa reunião e sobre os desdobramentos da investigação a respeito do repasse de R$ 20 milhões, após a apresentação dos fatos à prefeita Adriane Lopes. Até a publicação desta reportagem, não houve retorno, mas o espaço segue aberto para esclarecimentos. Já o Consórcio Guaicurus, desde o início dos processos que envolvem a CPI, mantém a posição de não se manifestar sobre o assunto.
