O delivery já fazia parte da vida moderna quando já era comum fazer pedidos em farmácias, lanchonetes e restaurantes. A rotina foi ficando mais corrida e mercados e lojas de roupas e calçados começaram também a fornecer o serviço de entrega. Com a pandemia, isso deixou de ser uma gentileza e passou a ser a única forma de venda, já que haviam normas de restrição de circulação. Como resultado, os números do delivery explodiram. Pesquisas do setor apontam um salto de 155% no número de usuários de março a abril de 2020, quando o estimado para o período era de 30%. Os pedidos também acompanharam o crescimento de usuários, atingindo expressivos 975% de aumento, segundo pesquisa da USP.
O delivery não significa apenas praticidade para quem compra, mas também pode ser sinônimo de redução de custos para a empresa, como afirma a empreendedora Leidiane Duarte, de 32 anos. Ao lado do marido Ari Flávio, ela possui uma loja de roupas infantis e calçados femininos. “A loja física exigia um estoque muito grande, renovação constante, fora os custos com aluguel, luz, internet, funcionário. O que levava o mês inteiro para tirar de lucro na loja física, agora faço em 15 dias trabalhando apenas com o delivery”, compara.
Leidiane também conta que a pandemia mudou a forma como os consumidores encaram as compras on-line. “Antes as pessoas tinham receio de comprar pela internet, ou mesmo pelo WhatsApp. Preferiam ver o produto em mãos. Mas como não tinham mais essa possibilidade, foram se arriscando e gostaram da praticidade. Para nós foi ótimo porque as vendas aumentaram muito”.
Procura tende a se consolidar
Segundo a Statista, empresa alemã especializada em dados de mercado e consumidores, foram registrados 96% novos consumidores de produtos de mercearia e a venda de itens da cesta básica pelo delivery aumentou 165%. O comércio está esperançoso de que os pedidos delivery virem um hábito, e tem investindo cada vez mais, informatizando seus estoques e disponibilizando seus conteúdos em sites ou aplicativos.

Número de pedidos aumentou 975% devido à pandemia e agradou consumidores, empresas e entregadores – Foto: Divulgação
Em Campo Grande, um supermercado contabilizou alta de pedidos em seu Delivery logo no início da pandemia e teve que acelerar seus processos internos para ajustar as demandas. “Independentemente das restrições impostas pela pandemia, o Delivery vem desempenhando um papel importante para quem não pode – ou não quer – sair de casa para fazer mercado”, pontua Flavio Inacio, gerente de e-commerce do supermercado.
Além da entrega agendada e da entrega expressa (modalidade em que o cliente pode receber suas compras em até 3 horas), a rede oferece a opção “clique e retire”, que é gratuita. Basta escolher os produtos no site e aguardar o tempo de separação da compra para, então, comparecer à unidade selecionada e receber o pedido no carro.
Para quem faz a ponte entre empresa e consumidor, o momento é extremamente favorável. Em 2020, as principais empresas de delivery registraram um aumento de 500% no cadastro de entregadores, e ainda sim tem serviço para todo mundo. “Saio às 8h da manhã e trabalho até meia-noite, parando só para almoçar e jantar, e há três anos é assim que sustento minha família”, relata o entregador Agnaldo Duarte, de 41 anos. Hoje ele é dono de uma empresa de entregas e também presta serviço aos principais aplicativos do segmento.
O entregador é testemunha da mudança de comportamento dos clientes em relação aos produtos consumidos. “No começo, só ia no shopping para retirar pedidos na praça de alimentação. Hoje em dia as lojas de calçado das marcas mais famosas me chamam e saio com a bag cheia de sacolas”.

