A nova conjuntura política e eleitoral que se anuncia com a soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva mobiliza opositores do petista. Ao afirmar que não vai dar espaço e nem contemporizar com Lula, o presidente Jair Bolsonaro sinalizou ontem que vai evitar o confronto direto, para minimizar o espaço do ex-presidente no debate público. Por ora, o governo quer aproveitar a libertação de Lula para dar ênfase ao pacote anticrime do ministro da Justiça, Sergio Moro, que condenou o petista quando era juiz. No PSDB , o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu uma aliança do centro “liberal, democrático e progressista”.

Fernando Henrique tem usado as redes sociais para se posicionar – Foto: Suamy Beydoun/Futura Press/Folhapress
Na definição de um auxiliar, a estratégia do governo Bolsonaro de evitar o confronto “resolve o problema sem alarde”. Aos seus subordinados, Bolsonaro tem insistido para que não entrem no campo de batalha. No entendimento do presidente, a reação a Lula dá ao petista os holofotes que ele quer. Desde então, todos têm acatado a ordem e os posicionamentos têm sido tímidos, sem mencionar diretamente Lula. A exceção foi o ministro do Gabinete de Segurança Institucional, Augusto Heleno, que acusou o petista de “incitar a violência”.
Pacote turbinado
Também não está descartado que o pacote seja turbinado com novas propostas para ganhar o apoio que precisa para ser aprovado no Congresso. Outro trunfo é aproveitar a imagem de Moro, alçado à popularidade por sua atuação ao julgar processos da Operação Lava-Jato, e reforçar junto à opinião pública o discurso de combate à impunidade. A expectativa é que a pressão popular derrube a resistência do Parlamento à proposta, que inclui uma mudança na lei para permitir a execução da pena após condenação em segunda instância.
Para aliados do governador de São Paulo, João Doria, que tem se colocado como representante de um movimento político alternativo à polarização entre Lula e Bolsonaro, a nova conjuntura tende a dificultar ainda mais o caminho para candidaturas de centro em 2022. Para esse núcleo, a saída de Lula aprofunda a polarização no país. Com informações O Globo

