A quadra de esportes está lotada. Professores, educadores, alunos, a comunidade. Todos esperam para ver uma apresentação de vigor físico, acrobacias e ginga. Mas o que ocorre é mais – muito mais – que isso: é o transbordar de felicidade da superação, do coraçãozinho acelerado de nervoso porque é uma apresentação especial e ele, com seus 10 anos e todas as suas dificuldades, precisa se sair bem; é o gosto da emoção que envolve todos no sonho do pequeno Jully, aluno portador de necessidade especial – escolhido para fazer a apresentação oficial do projeto Capoeira Pantaneira para a comunidade.

O projeto usa a prática do esporte e a promoção da cultura como ferramentas para transformar a realidade social dos envolvidos – Foto: Divulgação
Porque o Jully? Porque ele representa tudo o que a capoeira é para as 65 crianças e adolescentes do projeto: uma oportunidade de estarem no centro, de serem protagonistas, de vencerem seus medos e limitações, de vencerem. Uma oportunidade de felicidade.
Sim, deve ser essa tal de felicidade que a gente sente quando olha ao redor e vê as pessoas torcendo pelo Jully, vibrando com ele, filmando o momento com seus celulares e com um nó na garganta de orgulho, se dizendo: “nossa, ele é um guerreirinho”. E que guerreirinho vitorioso.
O Jully Maycon Lima Victoriani é uma das crianças que integram o projeto Capoeira Pantaneira, uma iniciativa comunitária coordenada pelo capoeirista Alexandre Lopes Trindade, com a supervisão do mestre de capoeira e educador físico Roberto Ros Perez.
O projeto oferece aulas gratuitas de capoeira a crianças e adolescentes de Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Os alunos aprenderem técnicas e aspectos históricos e culturais da capoeira como uma arte marcial genuinamente brasileira os alunos. Tudo é realizado usando a prática do esporte como uma ferramenta de transformação da realidade dos alunos – no Capoeira Pantaneira eles convivem em grupo, aprendem disciplina, a importância do trabalho em equipe.
E, como aconteceu com o Jully na apresentação oficial do projeto à comunidade, as crianças aprendem que podem ser protagonistas de suas próprias histórias – voltando a sonhar e resgatando a capacidade de acreditar que podem realizar.

Capoeira Pantaneira oferece aulas gratuitas de capoeira a 65 crianças e adolescentes de Miranda, no Pantanal de Mato Grosso do Sul – Foto: Divulgação
O Capoeira Pantaneira é um dos projetos selecionados pelo Prêmio de Inovação Comunitária – Outra Parada 2018, patrocinado pela Brazil Foundation, com mentoria do Instituto de Pesquisa da Diversidade Intercultural, o Ipedi. A apresentação oficial do projeto à comunidade aconteceu em 17 de agosto, na quadra de esportes da Escola Estadual Caetano Pinto. “Preparamos este momento para demonstrar à comunidade o que é o projeto, como ele é feito, pra quem ele é direcionado, quem são os patrocinadores, os realizadores”, afirma a presidenta do Ipedi, Denise Silva. Com informações da assessoria
