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As pessoas estão sonhando menos — e isso é questão de saúde pública

por Redacao
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pesquisa de Rubin Naiman, da Universidade do Arizona, nos Estados Unidos, mostrou uma improvável conexão: a falta de sonhos se relaciona diretamente com o aumento de doenças mentais como depressão e ansiedade.

Despertadores, atrapalham e até impedem os sonhos –  Foto: Pixabay

Antes de entender a relação entre os fatores, é preciso pontuar que o sono é composto por quatro etapas, dentre elas a REM, ou Rapid Eye Movement (“movimento rápido dos olhos”), na qual ocorrem os sonhos. A “dormida” típica segue um padrão em que o sono mais profundo e não-REM é priorizado pelo corpo. Só mais tarde, no meio da noite e no início da manhã, as pessoas entram no sono REM.

“O sonho e o sono REM são frequentemente citados como funcionais na regulação emocional, e vários distúrbios psicológicos estão associados ao sono REM desregulado. Na verdade, alguns tratamentos para a depressão visam a supressão específica do sono REM e dos sonhos”, escreve Michelle Carr, especialista no assunto, no Psychology Today.

De acordo com os cientistas, o problema ocorreu porque, atualmente, os hábitos de sono não são bons. Quando dormimos pouco, por exemplo, o sono REM pode nem chegar a acontecer; já itens que interrompem a noite de sono, como despertadores, atrapalham e até impedem os sonhos.

Fisicamente, a falta de sono REM está associada ao aumento das respostas inflamatórias, ao aumento do risco de obesidade e aos problemas de memória. Os pacientes com apneia do sono, que podem estar associados a uma perda completa de sono REM, têm mais chances de desenvolverem doenças cardiovasculares, diabetes, obesidade e depressão.

Embora essas estatísticas frequentemente atribuídas à perda de sono em geral, Rubin Naiman argumenta que elas provavelmente também estão ligados à perda de sonhos. “Muitas das nossas preocupações com a saúde atribuídas à perda de sono, na verdade, resultam da privação de sono REM”, escreveu o pesquisador.

Mais REM, menos medo
Outra pesquisa mostrou que quanto mais tempo de sono REM uma pessoa tem, menos propensa ela está de sentir medo e angústia. Aparentemente a etapa, que dura cerca de 2 horas em uma noite com 8 horas dormidas, faz com que guardemos menos memórias traumáticas.

Uma teoria é que o sono REM “limpa” a norepinefrina, uma substância química que mobiliza o corpo da região de onde é secretada. “O REM é muito único porque é a única vez que a área do cérebro fica completamente silenciosa”, disse Shira Lupkin, da Universidade Rutgers, a The Atlantic. “Uma teoria é que isso permite que você limpe a ardósia antes de começar novamente no dia seguinte. Se você tem menos REM, então você tem menos oportunidade de reduzir seus níveis globais de norepinefrina, o que o tornará mais reativo no próximo dia para um estímulo dado “.

Els van der Helm, ex-pesquisadora do sono e fundadora de uma startup de sonhos chamada Shleep, diz que os hormônios do estresse também são baixos durante o sono REM, permitindo que o cérebro ative as memórias, afastando seu “tom emocional”. Por causa disso, as pessoas que tem bastante sono REM podem ser menos reativas aos estímulos emocionais. Fonte: Galileu

 

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