Onze trabalhadores em condição análoga a de escravo foram resgatados, entre terça-feira (24) e esta quarta-feira (25), no Pantanal de Mato Grosso do Sul. Resgates foram feitos em duas fazendas de Corumbá durante operação do Ministério do Trabalho (MTE) e do Ministério Público do Trabalho (MPT).
Segundo o Ministério do Trabalho, os trabalhadores atuavam na atividade de desmatamento e na construção de cercas. A falta de contrato de trabalho com os operários foi uma das irregularidades constatadas.

Trabalhadores eram mantidos em alojamentos improvisados (Foto: Emerson Arce/TV Morena)
As fazendas ficam em regiões de difícil acesso. Os auditores levaram mais de quatro horas para chegar e se surpreenderam.
“São condições absolutamente degradantes de trabalho em que o trabalhador aqui é patente o risco em que ele corre até por ataques de animais peçonhentos ou onças. Nós estamos numa região no meio do Pantanal”, afirmou o procurador do MPT, J onas Ratier Moreno.
Em uma das propriedades, foram encontrados nove trabalhadores. Eles ficavam em dois barracões de lona, as camas são improvisadas com pedaços de tábuas. A instalação elétrica é precária e os fios ficam expostos. A energia vem de um gerador. Na cozinha, situação também é insalubre.
Os fiscais constataram que não tem banheiro no acampamento. O único local destinado para higiene dos trabalhadores tem quatro pilares de madeira e uma caixa d’água alimentada por uma bomba d’água.
“Tem que trabalhar, pagar conta. Tem que encarar, senão não tem jeito”, disse o operador de máquina Marcondes José do Carmo.
Os homens foram contratados para desmatar uma área que será transformada em pasto. Eles não usam nenhum equipamento de segurança.
“Acidente é meio arriscado, no mato mesmo aqui, a gente não sabe. Chega a algum pau pegar na gente, alguma coisa. É meio arriscado, mas tem que trabalhar”, destacou o operador de máquina Bruno de Cesario. Com informações do G1

