Agora quem tira onda é o Brasil. Depois de anos e anos entrando no circuito mundial como azarões, os surfistas brasileiros passaram a dominar o esporte.
Depois do título inédito de Gabriel Medina em 2014, no ano passado Adriano de Souza e Filipe Toledo provaram que a ‘brazilian storm’ não é um exército de um
homem só, com Mineirinho levantando a taça. O WCT de 2016 começa hoje, na Austrália, com os brazucas na condição de favoritos.
A tempestade brasileira entra reforçada. Além dos sete competidores que disputaram o WCT no ano passado, outros três se classificaram para esta temporada:
Alejo Muniz, Alex Ribeiro e Caio Ibelli. Ainda se recuperando de uma lesão, Alejo não vai competir na etapa da Gold Coast, mas espera estar 100% para o
campeonato de Bells Beach, no fim do mês.
Depois da Gold Coast, o WCT terá ainda duas etapas na Austrália, em Bells Beach e Margaret River, antes de chegar ao Brasil. O WCT do Rio será disputado de 10 a 21 de maio. Depois o circuito ainda passará por Fiji, África do Sul, Taiti, EUA, França e Portugal, antes de terminar no Havaí.
Quando a sirene soar e anunciar o início das baterias na Gold Coast, todos os olhos estarão sobre Adriano de Souza. Campeão no ano passado após uma disputa
emocionante contra Mick Fanning -queanunciou que não vai competir em todas as etapas neste ano – e Medina, Mineirinho diz que vai entrar na água mais leve este ano. Porém, se alguém pensa que ele vai deixar de ser aquele competidor ferrenho de sempre, melhor esquecer.
– A ficha ainda não caiu e será estranho entrar na primeira bateria como campeão do mundo. Estarei mais leve e relaxado, e espero errar menos porque talvez
eu me cobrasse demais no passado, mas o espírito competitivo não acabará nunca. Quando acabar, me aposentarei, mas isso ainda vai demorar alguns bons anos.
Vencedor da etapa da Gold Coast no ano passado com um desempenho que deixou muita gente de queixo caído, Filipe Toledo acabou a temporada na quarta posição, tendo vencido ainda os eventos no Brasil e Portugal. Com apenas 20 anos e dono de um surfe moderno, recheado de manobras aéreas que impressionam até mesmo seus rivais mais calejados, o garoto de Ubatuba é apontado por muitos como um futuro campeão mundial. Filipinho embarcou para a Austrália bem preparado, com 20 pranchas, incluindo uma cópia da que foi usada na convincente vitória de 2015.
— Sempre é bom voltar à Austrália, ainda mais para a Gold Coast. Estarei defendendo o título e não pretendo facilitar para ninguém. Esse time de brasileiros que está no circuito é muito forte e não tem sinal de estar disposto a largar o osso tão cedo. Podem esperar por muitas disputas eletrizantes este ano.
O WCT de 2016 terá um desfalque de peso. Três vezes campeão mundial e vice nas duas últimas temporadas,Mick Fanning anunciou que pretende tirar um ‘ano sabático’.
— O ano passado foi definitivamente intenso, o que aconteceu em Jeffreys Bay, estar na disputa do título e a morte do meu irmão. Cheguei a um ponto no fim do ano que me senti vazio. Neste ano vou tirar um tempo de folga, para reagrupar as forças e reacender o fogo.
A saída de Fanning representa um favorito a menos na briga pelo título. Se por um lado é bom não ter um adversário do calibre do australiano na disputa, por outro lado mesmo os brasileiros admitem que Fanning fará falta no circuito.
— Um título nunca terá o mesmo peso se for vencido sem atletas como Mick, Kelly Slater, Joel Parkinson, mas estaremos brigando por ele de qualquer forma, com muita vontade de conquistá-lo — diz Filipinho.
MEDINA MOTIVADO: ‘VOU PARA CIMA’
Primeiro brasileiro a se tornar campeão mundial com a histórica campanha de 2014, Gabriel Medina entra ‘faminto’ nesta temporada. No ano passado, Medina começou mal o ano, com resultados fracos na Austrália, e chegou a ocupar a 20ª posição no ranking. Na segunda metade da temporada ele iniciou uma reação espetacular que o colocou na briga pelo título. No fim do ano, Medina acabou na terceira posição.
— Neste ano tive menos compromissos comerciais e com a imprensa. Sem dúvida os ‘gringos’ querem acabar com nosso domínio e cabe a nós manter o título em casa. Vou para cima — avisa Medina.
Além do trio Medina, Mineirinho e Filipinho, outro brasileiro espera brigar pelo título de melhor do mundo este ano. Italo Ferreira, de apenas 21 anos, estreou no WCT na temporada passada e surpreendeu muita gente.
De novato desconhecido, chamado por muitos sites estrangeiros de “Italo Who” (Italo Quem), a estreante do ano, o surfista potiguar derrubou muitos favoritos e conseguiu resultados como um vice-campeonato em Portugal e um terceiro lugar no Rio, além de quartas de final em ondas grandes e pesadas em Fiji e Taiti.
— Tive vários momentos marcantes, como o terceiro lugar no Rio, com toda aquela torcida, e as etapas de Fiji e Taiti, mas o segundo lugar em Portugal foi muito especial em todos os aspectos.
Ao fim da temporada, Italo terminou o ranking na sétima posição, na frente de Kelly Slater e Joel Parkinson.
— Meu objetivo é procurar manter minha posição no ranking, buscando melhorar cada resultado que eu tive em cada etapa, com muita calma e foco. Com informações oglobo


