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Comunidades do Pantanal na rota do melhor mel e proteção de espécies nativas

por Redacao
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Está em desenvolvimento um processo de preparação de comunidades tradicionais do Pantanal para a produção de mel de maneira sustentável. Com o apoio do Fundo Casa e em articulação com a Embrapa Pantanal, a Federação de Apicultura e Meliponicultura de Mato Grosso do Sul (FEAMS) e a Ecoa, acontece na semana de 29 de fevereiro a 4 de março a capacitação de famílias das comunidades de São Francisco e do Porto da Manga no trabalho de manejo das abelhas.

A preparação das famílias contribuirá para a diminuição de incêndios

A preparação das famílias contribuirá para a diminuição de incêndios, o fogo é  utilizado na coleta do mel

Essa capacitação é em apicultura e meliponicultura (a criação de abelhas sem ferrão). A Embrapa Pantanal possui um apiário na Fazenda Band’Alta em Ladário (MS), uma das bases da capacitação.

No site da Embrapa o pesquisador Vanderlei dos Reis, coordenador do curso, afirma que é importante a capacitação para evitar casos em que o contato entre humanos e abelhas é feito sem preparo ou equipamentos de proteção: “Muitas pessoas que trabalham com a pesca extrativista e artesanal também atuam como “meleiros”, coletando mel nos períodos livres ou quando localizam colônias de abelhas africanizadas e nativas. Isso é feito de maneira bem rudimentar e insegura, tanto para eles quanto para o ambiente, já que esse tipo de ação pode causar incêndios e eliminar colônias inteiras”.

Para as pessoas e animais o maior risco vem do estresse das colônias quando o mel é retirado, como afirma o pesquisador, pois elas ficam mais agressivas durante alguns dias – principalmente no primeiro e, às vezes, por mais tempo. Pessoas e animais (domésticos ou não) que estiverem perto dessas colônias nesse período, mesmo que não tenham se envolvido na coleta do mel, podem ser atacadas.

Vanderlei identificou que a ação indiscriminada dos meleiros pode colocar em risco a existência das espécies de abelhas sem ferrão (que têm colônias pequenas e ficam em nichos muito específicos) e que pode-se produzir mais e melhor: “A margem dos rios e áreas com bastante água [ caso do Pantanal] são muito interessantes para a apicultura. As colônias ferais, que estão na natureza, são bastante populosas e produtivas. Isso é um indicativo de que a região é muito favorável ao desenvolvimento da apicultura e, possivelmente, da meliponicultura”.

Para o pesquisador “tanto a apicultura quanto a meliponicultura não são muito intensivas em relação ao tempo dedicado a elas. Quem desejar, pode trabalhar com a pesca e desenvolver a apicultura durante o período de defeso, quando se fica legalmente impossibilitado de pescar……É sistematizar uma atividade que eles já fazem de maneira insegura. Queremos mostrar que eles podem obter um produto de elevada qualidade em uma região de potencial muito interessante”.

Essa capacitação é uma demanda antiga de várias comunidades e mais recentemente a do São Francisco (5 horas de barco a jusante de Corumbá, pelo rio Paraguai) resolveu procurar a Embrapa e a Ecoa para a preparação para a produção. Uma proposta foi enviada para o Fundo Casa / Caixa Econômica Federal, a qual uma vez aprovada foi colocada em andamento. Dentre os próximos passos está a implantação das caixas para as colmeias e o acompanhamento técnico.

Para a Ecoa é particularmente importante este processo de preparação das comunidades desde o ponto de vista da conservação de espécies de abelhas e polinizadores em geral.

Já há algum tempo acontece em todo o mundo a diminuição drástica das colmeias e de polinizadores em geral com grandes prejuízos ambientais e econômicos. Pesquisas associam o fenômeno ao uso de agrotóxicos. Considerando que na planície pantaneira praticamente não ocorre o uso de biocidas, a apicultura e a meliponicultura na região podem ser essenciais para a proteção de espécies e na ajuda para conter os danos nas regiões de uso intensivo de biocidas no entorno do Pantanal para a produção de soja e outros grãos. com informações do ecoa

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