A comunidade escolar, na esteira do comprometimento coletivo, é capaz de produzir iniciativas que refletem, com clareza e vigor, a importância do conhecimento e o alcance de consciências transformadoras num tempo de angustiantes inquietações humanas e sociais. Em Campo Grande, uma dessas iniciativas veio assinada pela Escola Estadual 26 de Agosto, que levou no sábado, 28, ao espaço da Seleta Sociedade Caritativa e Humanitária (SSCH), o Projeto “Cinema e Outras Linguagens”, resultado do protagonismo de direção, educadores, corpo administrativo e alunos. Para quem assistiu e participou foi uma bela oportunidade de experimentar diversas possibilidades da linguagem na formação de uma sociedade em busca de respostas para seus problemas e desafios.
O projeto, com fundamentação pedagógica, vai além dos limites didáticos e abraça as extensões e profundidades culturais e comportamentais, apropriando-se de obras literárias, musicais, teatrais e cinematográficas como elementos de comunicação crítica. Nesse contexto, a convivência respeitosa e democrática entre as pessoas cimenta o conteúdo conceitual de um processo complementar de ensino que desenvolve e enriquece habilidades inerentes a áreas específicas das grades curriculares do 1º, 2º e 3º anos do ensino médio.
Para cumprir a proposta, muito suor e dedicação. Todos se mobilizaram por vários dias na pesquisa de obras, elaboração dos textos, ensaios e construção dos cenários, alegorias e interpretações. Os professores orientaram assim esse processo: “O projeto tem como proposta um trabalho multidisciplinar, no qual os alunos deverão assistir filmes, realizar reflexões e contextualização com aspectos presentes na vida dos alunos e na escola, resultando em uma produção teatral ou outro tipo de linguagem que expresse o conteúdo do filme assistido”. Importante: as atividades percorreram caminhos abertos pelas disciplinas de Língua portuguesa, Literatura, Língua espanhola, Produções Interativas, Geografia, História, Sociologia, Física, Educação Física, Química, Biologia, Matemática e Filosofia.
AS LINGUAGENS – Com ênfase na expressão corporal e caprichando na desenvoltura, a performance dos estudantes foi de emocionar e digna de louvor, mesmo nos instantes em que os nervos ou a falta de hábito interpretativo atrapalharam. Em 13 apresentações, o clamor contra o preconceito e o pessimismo, a afirmação da convivência e do respeito a culturas e costumes diferentes, a preservação ambiental, a magnitude do saber, o “não” à violência, os acenos bem-humorados da vida e outras temáticas ganharam tratamentos grandiosos que intercalaram drama, comédia, buscas, posturas, talentos e descobertas, sempre com o tempero da teatralização, da música e da dança.
As obras escolhidas para o projeto foram os filmes “Auto da Compadecida”, “Os Filhos do Paraíso”, “La Dama y La Muerte”, “Zero”, “Corrente do Bem”, “Deu a Louca nos Bichos”, “Óleo de Lorenzo”, “Faroeste Caboclo”, “Vem Dançar”, “Zero” e “Mentes Brilhantes”; a esquete da Companhia Barbixas; e “Rios Voadores”, uma abordagem de sentido educativo-ambiental sobre cursos de água atmosféricos que carregam a umidade amazônica para outras regiões brasileiras.
Na classificação final, a turma vencedora foi a do 2º B, que fez o drama de “Óleo de Lorenzo”. Em seguida, o 2º C, com “Deu a Louca nos Bichos”; e em terceiro, o 1º C, com a Companhia Barbixas. Na verdade, a classificação foi a que menos contou num dia em que todos ganharam, sobretudo a educação de qualidade, como bem frisou a professora Marilei R. Caballero, uma das idealizadoras do projeto. As turmas vencedoras ganharam e prêmio um passeio cultural no Museu da Imagem e do Som.
O sucesso do projeto está creditado na responsabilidade de uma escola interessada no ensino de qualidade, que tem no comando o diretor Mílton Sobrinho e seu adjunto Otoniel Blanco; os professores e orientadores Adriana Azambuja, Paulo Eduardo Dall’Acqua, Emanuelle Catarinelli, Gisele Freitas de Oliveira, José Evaldo de Lima, Janaína Vasconcelos Martins, Jéssica Scheffer, Marilei Caballero, Marcos Paredes Martins, Miksileide Pereira, Mauro Cezar da Silva, Patrícia Barbosa, Paulo Marques, Thiago Alves Spontoni, Rosie Mary, Roberto Cortez, Sônia Maksoud, Tarline Corrê, a, Vera Lúcia; demais coordenadores e auxiliares pedagógicos, administrativos e operacionais.
O evento teve no corpo de jurados o músico Simona, os educadores Frei Pedro, Karen Paniago, Márcia Leal, Jefferson Vila Maior e o jornalista Edson Moraes. O músico e intérprete Rodrigo Moraes fez as apresentações e ainda deu uma “canja” no final.
Edson Moraes


