Nós entidades dos movimentos sociais e sindical de Mato Grosso do Sul vimos por meio desta repudiar a atitude da mesa diretora da Assembléia Legislativa que no dia após o termino da sessão em que houve protesto contra a instalação da CPI do CIMI e a defesa da CPI do Genocídio (para investigar os assassinatos de lideranças indígenas em MS). 
De acordo com o Boletim de Ocorrência feito pelo segurança da Assembleia, José Emílio, a ordem de prisão partiu do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Junior Mochi (PMDB) a pedido da deputa Mara Caseiro (PTdoB). A tentativa de prisão do advogado Rogério Batalha ocorreu já fora das dependências da Assembleia e após intervenção de deputados da bancada do PT o advogado foi liberado. Mara teria pedido a prisão do advogado por sentir-se ofendida durante o protesto.
Repudiados a atitude do precipitada e unilateral do presidente da AL que determinou a prisão do advogado e vamos interpelar a Casa de Leis a respeito da tentativa de prisão ocorrida já fora das dependências da Assembleia.
Nós entidades dos movimentos sociais de Mato Grosso do Sul manifestamos nossa solidariedade ao advogado Rogério Batalha – um histórico defensor dos direitos dos povos indígenas em nosso estado – e não temos dúvida que essa ação de perseguição pessoal por parte da deputada Mara Caseiro está diretamente ligada à ação do advogado em prol dos direitos constitucionais nas povos indígenas de MS.
Reafirmamos também nosso apoio ao CIMI (Conselho Indigenista Missionária), órgão da Igreja Católica que há 40 anos atua em todo pais em favor das diversas etnias indígenas que tem seus direitos massacrados ao longo dos séculos de opressão a que foram submetidos. Entendemos a instalação da CPI do CIMI pela Assembleia Legislativa como mais uma tentativa de calar não só o CIMI mais todos as aqueles que se colocam na defesa dos direitos dos povos indígenas. Não só não nos calarão como ainda sairemos ainda mais, em todo pais, em defesa do CIMI e dos povos indígenas.
Por fim defendemos a instalação da CPI do Genocídio, esta sim necessária para esclarecer os sucessivos ataques a que vem sendo submetidos os povos indígenas de Mato Grosso do Sul, com o assassinato seletivo de suas lideranças, fatos esses sobre os quais já se dispõe de farta documentação comprobatória quanto à origem e mandantes de tais ataques. Cremos que a Assembleia Legislativa deve – no mínimo investigar os dois lados – dando amplo direito para que os povos indígenas apresentem a sua versão dos fatos e mostrem o que de fato ocorre nas áreas indígenas de Mato Grosso do Sul.
Assinam:
Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST
Central Única dos Trabalhadores – CUT
Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação – CNTE
Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul – FETEMS
Coletivo Terra Vermelha
Movimento de Luta Camponesa pela Reforma Agrária – MCLRA
Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Estado de MS – Fetagri
Centro Ecumênico de Estudos Bíblicos – CEBI
Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares – RENAP
Centro de Documentação e Apoio aos Movimentos Populares – CEDAMPO
Tribunal Popular da Terra – TPT
Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU
União da Juventude Comunista – UJC
Partido Comunista do Brasil – PCdoB
Conselho Terena
Movimento das Mulheres Camponesas – MMC
Centro de Defesa dos Direitos Humanos Marçal de Souza Tupã y – CDDH
Irmãs Catequistas Franciscanas
Sindicato dos Bancários de Campo Grande e Região
Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde, Trabalho e Previdência Social – SINTSPREV/MS
Partido dos Trabalhadores de Mato Grosso do Sul – PT/MS

