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Isac Zampieri, do quintal para os palcos do Brasil

por Redacao
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Professor, diretor e ator de teatro, Isac Zampieri, mirandense de alma e coração relata sua trajetória profissional e a importância de ter vivido na cidade pantaneira, fundamental na escolha de sua vocação.

Repetia no meu quintal o que via nas apresentações do circo

Repetia no meu quintal o que via nas apresentações do circo

“O teatro está dentro de mim. Desde sempre! Nasci para ser ator. Em Miranda vivi em uma casa grande, com quintal maior ainda, cercado por flores, árvores, frutas e muitos pássaros. A natureza exuberante daquela cidade, o rio, o silêncio das noites enluaradas, mexiam com minha imaginação. Tinha em mim, desde menino o desejo de inventar, criar, recriar… contar histórias e estórias de minha imaginação.

Naquela época, em uma cidade pacata e singela, a felicidade de crianças e adultos era a chegada do circo. Se instalavam em um terreno próximo ao prédio da “prefeitura velha”. As lonas coloridas, a movimentação de animais e gente diferente aguçavam ainda mais meu interesse pelo que viria a seguir. Trapezistas, palhaços, bailarinas e, depois da apresentação do número denominado globo da morte, havia sempre uma apresentação teatral. Me lembro até hoje, do sr. Dedé Albuquerque, pai do amigo Ronaldo Albuquerque. Ele, “seu” Dedé, se “debulhava em lágrimas com a apresentação da peça “Mamãe Dolores”, representada pelos atores circences.

“Dona Quiqueta” foi e será sempre a “dama da cultura mirandense”

“Dona Quiqueta” foi e será sempre a “dama da cultura mirandense”

O circo foi minha inspiração primeira, me colocou em contato com o teatro. Quando o circo ia embora, o quintal de minha casa se transformava no palco para minhas apresentações e invenções. Eu construía trapézios utilizando os galhos das árvores e cordas, eu era também o mágico! Colocava minha irmã, Cristina dentro de uma caixa de papelão sem fundo…de repente ela sumia!!! Repetia no meu quintal o que via nas apresentações do circo.

O circo ia embora. Mas, pra minha sorte e de muitos mirandenses, vivia lá “Dona Quiqueta”. Uma senhora elegante, culta, pianista que amava a música, o teatro; as artes de maneira geral. Ela era além de seu tempo! Dirigia, escrevia, musicava peças teatrais, dos quais muitas vezes participei. Mostrava às crianças e jovens da cidade que existia um mundo mágico, muitas vezes despercebido aos olhos de alguns.

Tenho 27 anos de teatro, 14 prêmios, entre nacionais, regionais e locais

Tenho 27 anos de teatro, 14 prêmios, entre nacionais, regionais e locais

Sempre digo que “Dona Quiqueta” foi e será sempre a “dama da cultura mirandense”. Pois bem, tenho certeza que ela, também é responsável por eu ter me tornado diretor, professor e ator de teatro. Dona Quiqueta, com sua arte despretensiosa, influenciou muitos de minha geração, na arte, literatura, jornalismo, etc…Nesse período eu estudava na escola Paroquial Nossa Senhora do Carmo. Posteriormente fui estudar na Escola Estadual Caetano Pinto, e tenho muito orgulho de ser neto da professora Alice Nunes Zampieri.

Em 1975, estudante do Colégio Dom Bosco, em Campo Grande, fui aluno do professor Wilson Talaveira, onde fazíamos teatro. Foi nesse período que comecei a me interessar profissionalmente pela arte. Conclui o ensino médio em 1978 e fiquei dez anos sem fazer teatro. Em 1988 ingressei no grupo teatral Alma de Circo da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul. De lá pra cá , passei por diversos grupos dentre eles; Teatral Grupo de Risco, Senta que o Leão é Manso, Teren’Art, Curumins e tantos outros. Posteriormente, fundei o grupo Uruato-Cia Guaicuru de Artes.

Também foi diretor de vários espetáculos como; A Saga de Mané Boi, Na Rodagem dos Tocos e o Vôo do Guerreiro Beija-Flor.

Trabalhei e desenvolvi vários projetos sociais

Trabalhei e desenvolvi vários projetos sociais

No ano de 2005, fui morar no município de Coxim. Lá, trabalhei e desenvolvi vários projetos sociais, como projeto Pet, Agente Jovem e Terceira Idade. Retornei para Campo Grande em 2007 e me ingressei no Teatro Imaginário Maracangalha, onde fiz a peça o Canto da Canturaria. Permaneci mais tempo ministrando oficinas de teatro, do que atuando ou dirigindo. No ano passado, comecei meu trabalho mais recente, “Caminhos de Ferro”, que já fiz em parceria com outro ator e hoje faço sozinho.

Reconhecimento

Tenho em minha carreira de 27 anos de teatro, 14 prêmios, entre nacionais, regionais e locais. Tenho orgulho de ter sido o primeiro artista sul – mato-grossense a participar do Festival de Teatro de Curitiba, em sua oitava edição, no ano de 2000.

Fiz, faço e continuo a sonhar com novos projetos. Sou perfeccionista e adoro ser reconhecido pelo meu talento. issac_teatroTalento que desabrochou em mim, desde menino quando de pés descalços fitava a natureza de minha cidade de coração,a magia do circo, o som do piano de dona Quiqueta, e o quintal de minha casa…tudo transformado em palco…imaginação e arte”. Como cidadão, através da minha arte procuro levar, não apenas cultura, mas solidariedade e conscientização ao povo que me prestigia.

 

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