O presidente da comissão provisória regional do PTB, ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad, deu início ao processo de reestruturação partidária aproveitando, inclusive, os remanescentes que, embora filiados, foram preteridos no passado por motivo de divergências com a direção anterior.
Nelsinho prepara um grande ato de filiações em outubro, em Campo Grande, visando ampliar as bases eleitorais para as eleições municipais de 2016.
Indicado vice-presidente regional, o ex-deputado estadual Paulo Estevão é um dos que passaram a ser privilegiado após Nelsinho assumir o comando do partido no Estado.
“Como o partido visa à reestruturação, estamos nos reunindo com as militâncias para mobilizar todos em prol de deixar as comissões provisórias vigentes”, contou Paulo Estevão.
O ex-deputado não tinha muito espaço durante o mandato do presidente Ivan Louzada, tendo, inclusive, acampado juntamente com outros correligionários na sede do diretório regional em protesto pelo fato de o dirigente ter levado a legenda a apoiar a candidatura do senador Delcídio do Amaral (PT) ao governo do Estado, em 2014.
Eleito deputado nas eleições de 94, Paulo Estevão era ligado politicamente ao então deputado federal Nelson Trad (falecido), pai de Nelsinho.
O desejo dele era que o partido pedisse votos para o ex-prefeito da Capital durante a campanha vencida pelo tucano Reinaldo Azambuja (PSDB), ao derrotar Delcídio no segundo turno das eleições.
Nelsinho reuniu o grupo na última sexta-feira para passar o resultado da conversa que teve com a cúpula nacional petebista e adiantar os próximos compromissos, além dividir tarefas com os membros do partido.
Ele disse que a sua missão principal é reestruturar o partido que, em sua opinião, ficou um pouco esquecido. “Vamos resgatar as bandeiras históricas do PTB, bem como organizar o interior para podermos caminhar numa futura composição com os demais partidos”, afirmou.
Para analistas, a declaração do atual dirigente petebista representa uma crítica velada a atuação de Louzada, que embora esteja há anos no comando do diretório regional, teve dificuldade para fortalecer o partido, até hoje sem representatividade na Assembleia Legislativa, na Câmara dos Deputados e nas Câmaras Municipais.
Em Mato Grosso do Sul, o partido só elegeu um prefeito no último pleito, Edson David, de Aral Moreira. Eleito pelo PTB, o vereador de Campo Grande, Edson Shimabukuro, My Body, defende-se de acusações sobre sua suposta participação no esquema de corrupção que culminou com a cassação do prefeito Alcides Bernal (PP), já de volta a Prefeitura por decisão liminar no Tribunal de Justiça do Estado.
Nelsinho garantiu que vai utilizar esse tempo de aproximadamente um mês, para visitar o interior e repassar as novas diretrizes.
“Vamos trabalhar dentro dos quadros do partido de forma a extrair nomes capazes de sair fortes para as eleições municipais, estamos convocando os filiados históricos, para podermos resgatar o PTB e transformar mais uma vez a sigla dentro de Mato Grosso do Sul. Posso adiantar que encerraremos este processo no inicio de outubro com um grandioso ato de filiação em Campo Grande, com a presença de lideranças nacionais do PTB”, prometeu.
ELEIÇÕES 2016
Sob novo comando, a ideia do PTB é chegar fortalecido nas eleições de 2016, principalmente em Campo Grande, onde os dirigentes do partido devem trabalhar para apoiar a candidatura do deputado estadual Marquinhos Trad, que deve trocar o PMDB do ex-governador André Puccinelli, pelo PSD do ministro das Cidades, Gilberto Kassab.
Também há especulação sobre a possibilidade de o próprio Nelsinho ser candidato à sucessão do prefeito Alcides Bernal, caso Marquinhos desista da ideia de pleitear o cargo.
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