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Apesar do desgaste em âmbito estadual decorrente do péssimo desempenho nas últimas eleições e problemas judiciais por causa de uma dívida ativa milionária que acumula na Justiça, o comando regional do PTB ganhou mais um voto de confiança do diretório nacional para se reorganizar em Mato Grosso do Sul.

Ivan Louzada terá 90 dias de prazo para recompor comissões provisórias e eleger os diretórios municipais
O presidente da executiva regional, Ivan Louzada, confirma que terá prazo de 90 dias para reestruturar as comissões provisórias e eleger os diretórios municipais em todo o Estado.
O ultimato foi dado pela presidente nacional do partido, deputada federal Cristiane Brasil (PTB-RJ), filha do ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ), pivô do mensalão.
“Vamos dar sequencia aos trabalhos nos municípios de Mato Grosso do Sul, após ligação da presidente Nacional do PTB, Cristiane Brasil, confirmando que não haverá a incorporação com o DEM, com isso nosso prazo é restrito, temos penas 90 dias para arrumarmos o partido, em condições de disputar as próximas eleições”, declarou Louzada, em nota distribuída à imprensa.
A sobrevida dada aos petebistas surge coincidentemente após Roberto Jefferson deixar a prisão em 16 de maio, autorizado pelo ministro Luis Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal), a cumprir o restante de sua pena em regime aberto.
Louzada foi um dos 300 convidados da festa de casamento do cacique petebista com a enfermeira Ana Lúcia Novaes, de 46 anos, na cidade de Três Rios (RJ), no dia 29 de maio.
Antes, porém, o dirigente enfrentava forte pressão da cúpula nacional que chegou a cogitar a troca de comando da legenda em Mato Grosso do Sul.
O próprio Louzada havia sugerido entregar a direção do PTB ao deputado federal Luis Henrique Mandetta (DEM) caso a proposta de incorporação com os democratas fosse aprovada pela cúpula das duas legendas.
Na campanha eleitoral do ano passado, o PTB subiu no palanque do senador Delcídio do Amaral (PT), derrotado no segundo turno das eleições para o tucano Reinaldo Azambuja (PSDB), a mando do ex-governador André Puccinelli (PMDB), a quem Louzada é ligado.
Sem representatividade na Assembleia Legislativa e no comando apenas da prefeitura de Aral Moreira, o PTB quase foi parar nas mãos do ex-prefeito de Campo Grande, Nelsinho Trad (PMDB), que articulou junto à cúpula nacional na tentativa de tomar o controle da legenda em MS.
Há dias, em entrevista à imprensa, o governador Reinaldo Azambuja confirmou que o interesse de Nelsinho era voltar ao seu partido de origem, antes dirigido pelo seu pai, o ex-deputado federal Nelson Trad (falecido).
FÔLEGO
Aliviado com a decisão da cúpula nacional, o dirigente comemora o fato de ganhar mais um fôlego.
“Não tenho dúvida alguma que o PTB será o partido que mais vai crescer no Mato Grosso do Sul nas próximas eleições”, previu Louzada, que pretende percorrer oito municípios em três dias.
Ele promete começar uma peregrinação já pensando em fortalecer e consolidar o partido no interior do Estado.
“Nos próximos dias, pretendo “correr” o Estado. O PTB é um partido democrático, que discute ideias, e gosto sempre de frisar que dou autonomia para as lideranças trabalharem em seus municípios, sempre dei liberdade de decisão aos presidentes municipais, o PTB é um partido do povo, e devemos trabalhar para fortalecer o partido em Mato Grosso do Sul”, colocou.
Ele diz ter dado início a esta consolidação no último dia 25, quando esteve reunido no município de Sidrolândia, com o ex-presidente municipal do PTB Lo Lun, um grupo de agricultores e o vereador Cledinaldo Cotócio atualmente filiado ao PP.
“Em Sidrolândia já deixei encaminhado à formação da comissão provisória, ainda não está definido quem assumirá o comando no município, no entanto, o convite foi feito para o vereador e tenho certeza que será um ótimo representante não só para os agricultores que farão parte do grupo, mas para todo o partido”, acrescentou.
No roteiro de viagem, ainda segundo o presidente, inclui Nova Alvorada do Sul, Rio Brilhante, Iguatemi, Paranhos, Amambaí, Naviraí, Juti e Caarapó.
Louzada explicou que hoje o partido funciona provisoriamente em apenas 12 cidades de MS, isso porque logo após a convenção nacional ocorrida em dezembro, decidiu-se pela extinção de todas as comissões provisórias e diretórios municipais.
Durante o encontro do ano passado também ficou deliberado que os diretórios estaduais serão prorrogados até 2018.
Williams Araújo

