193
Três vereadores de oposição – Luzia Ribeiro (PPS), Thais Helena (PT) e Alex do PT – entregaram na manhã desta terça-feira pedido de abertura de uma Comissão Processante a fim de cassar o mandato do prefeito de Campo Grande, Gilmar Olarte (PP).
O documento foi entregue pelos parlamentares ao presidente da Mesa Diretora da Câmara de Vereadores, Mário Cesar (PMDB).
A medida provocou reações contrárias dos vereadores que integram a base aliado do prefeito na Casa.
Ayrton Saraiva (DEM), por exemplo, usou a tribuna para dizer que ‘aquilo’ já teria se tornado um espetáculo, uma vez que a entrega do documento foi feita em meio a gritos.
Em meio a uma sessão tensa e com as galerias lotadas por manifestantes, a vereadora Thaís Helena, líder da oposição, ressaltou que o pedido é embasado em cinco pontos: excesso de nomeações; nomeação de funcionários fantasmas; uso de jatinho e empreiteiros para viagens particulares; descumprimento da Lei de Responsabilidade Fiscal e o processo do Gaeco.
O documento será analisado pela Procuradoria Jurídica da Câmara, que terá cinco dias para analisar o pedido de Comissão Processante. Caso haja fundamento, será entregue a Mesa Diretora da Câmara para que a data de votação seja marcada.
No último domingo, o programa Fantástico, da Rede Globo de Televisão, trouxe matéria na qual Olarte aparece trocando cheques em branco de eleitores com agiotas, usando para isso a intermediação de seu ex-assessor e pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, Ronan Feitosa.
De acordo com a reportagem do Fantástico, Olarte, que também é pastor da mesma igreja, é suspeito de pegar os cheques em branco de eleitores e trocar junto a agiotas com a promessa de beneficiar os titulares com cargos públicos e contratos na administração.
Um dos agiotas disse ao repórter da Rede Globo que participou do esquema em troca de benefícios. Ele revelou que seria contemplado em um processo de licitação visando à execução de obras na Capital.
Segundo o MPE-MS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), a dívida das vítimas que caíram no golpe pode totalizar R$ 1 milhão.
No entanto, o prefeito nega as acusações, garantindo que o seu ex-assessor Ronan Feitosa agiu sozinho. O advogado de Feitosa, Hugo Melo Farias, manteve a versão de Olarte.
As investigações apontam que o esquema começou durante a campanha eleitoral de 2012, quando Olarte era candidato a vice-prefeito na chapa de Alcides Bernal (PP), que se elegeu prefeito, mas foi cassado pela Câmara de Vereadores em março de 2014.
Salem Pereira Vieira é um dos agiotas que trocava cheques de eleitores de Olarte por dinheiro, de acordo com a denúncia. Investigado por crime de agiotagem, ele afirmou que percebeu o golpe quando tentava descontar os cheques e eles voltavam.
“Eu comecei a ver que era um golpe, que todos ali foram iludidos. O prefeito falou comigo no telefone pessoalmente que ele ia resolver, sanar o problema”, declarou.
Ainda segundo o Gaeco, a investigação tem mais de 8 mil gravações telefônicas autorizadas pela Justiça. Tratam-se de conversas que reforçam a participação do prefeito no esquema de corrupção e lavagem de dinheiro. Com agências locais.
conjuntura

