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Cada vez mais perto de deixar o PT, a senadora Marta Suplicy (SP), ex-ministra da Cultura de Dilma Rousseff, afirmou nesta sexta-feira que se sente desconfortável por representar o partido no Senado e “não tem coragem” de defender o governo federal. Ela discursou em um evento comemorativo do Dia Internacional da Mulher no Jardim Helena, Zona Leste de São Paulo.
A região é uma das trincheiras eleitorais do PT na capital paulista e reduto de votos de Marta – ela negocia uma transferência para o PSB com objetivo de disputar as eleições municipais contra o prefeito Fernando Haddad (PT). O acerto é dado como certo por líderes do PSB paulista. No plano nacional, PSB, PPS, PV e Solidariedade formalizaram no fim do ano passado a criação de um bloco parlamentar de oposição que pode dar suporte à candidatura de Marta contra o projeto de reeleição de Haddad. Desde que saiu do governo, a ex-prefeita de São Paulo distanciou-se do comando do PT, recebeu acenos de diferentes legendas e passou a avaliar o cenário eleitoral paulistano. Ela guarda mágoas de ter sido preterida pelo ex-presidente Lula em prol de Haddad (em 2012) e do ex-ministro da Saúde Alexandre Padilha (em 2014).
“Eu sei que o partido não é mais o mesmo. Não é o partido que eu ajudei a fundar. É um partido que não se relaciona com a população. Estou muito triste. Sou senadora da República pelo PT. É uma situação muito desconfortável porque não tenho coragem de ir lá naquela tribuna fazer um discurso defendendo esse governo. Vou defender o quê?”, disse Marta, conforme relato publicado no site do jornal O Estado de S. Paulo.
Marta também fez críticas à política econômica adotada pelo governo Dilma e voltou a apontar “mentiras” da campanha de Dilma. Ela ouviu uma série de críticas a Haddad e recebeu apoio de lideranças comunitárias e regionais ligadas ao PT e ao PSDB. Cerca de 300 pessoas participaram do encontro. Em uma rede social, a senadora disse que saiu “fortalecida”.
Também nesta sexta, Marta publicou artigo no jornal Folha de S. Paulo, no qual afirma que a negação da realidade e uma estratégia errônea fazem com que Dilma “leve a vaca para o atoleiro”. Ela também critica a estratégia petista de tentar vincular o governo Fernando Henrique Cardoso (PSDB) à origem do escândalo do petrolão. “Afunda-se o país e a reeleição navega num mar de inverdades, propaganda enganosa cobrindo uma realidade econômica tenebrosa, desconhecida pela maior parte da população”, escreveu Marta.

