A Fórmula 1 não é mais a mesma para os comerciantes do entorno do Autódromo de Interlagos. No passado havia filas no lado de fora dos estabelecimentos porque não cabia mais ninguém e as portas eram fechadas. Funcionários do turno da noite precisavam ser convocados para trabalhar de dia. Mas neste sábado o reforço na mão-de-obra não se justificaria.
Os clientes puderem comprar sem atropelo em qualquer momento do dia. Nem mesmo na hora em que o movimento dos torcedores se juntou ao de estudantes que fariam o Enem num prédio perto do autódromo houve aglomeração. Rodrigo Rodrigues é da família dona de um restaurante na rua da entrada do autódromo e resume a mudança numa frase.
“Antes acabava tudo. Precisava sair correndo porque não tinha mais pão, presunto, queijo”.
Enquanto falava contrariado, apenas três das oito mesas do lado de fora do estabelecimento estavam ocupadas. Ele conta que ano passado o interesse pela corrida diminuiu, mas nesta edição este movimento se aprofundou. Ainda falta o dia da corrida, mas Rodrigo arrisca que a queda nas vendas fechará em 50%.
É o mesmo percentual apontado por Ivan Amaral dos Santos, que há 13 anos trabalha numa farmácia localizada junto a Interlagos. Ele afirma até a era Schumacher eram escaladas cinco pessoas para trabalhar. Neste sábado havia duas para atender ninguém. Os itens mais vendidos, água, refrigerante e protetor solar, permaneciam intocados.
O cenário é o mesmo nos mercados, lanchonetes e até vendedores ambulantes. A queda do movimento gerou uma série de teorias. Dificuldades da economia do Brasil, famílias que deixaram de ver a corrida porque tinham Enem e perda do interesse pelas Fórmula 1 por causa da falta de bons resultados de pilotos brasileiros foram os mais citados.
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