126
Ao participar na quarta-feira (18) da abertura da 16ª Semana Antidrogas, realizada na Assembleia Legislativa, o prefeito Gilmar Olarte (PP) defendeu uma ação mais “proativa do poder público no trabalho de prevenção e combate às drogas”, uma questão, conforme avalia o prefeito, que a sociedade como um todo “ deve compartilhar” o desafio de buscar alternativas de solução.
“É um problema que não diz respeito apenas à segurança pública. Perpassa a educação, a saúde, assistência social e a própria instituição familiar, que sofre as consequências nefastas disso que hoje é uma doença, da qual ninguém está livre”, observou.
Uma das medidas que estão sendo planejadas é a criação da Secretaria Municipal de Defesa Social e Combate às Drogas, cujo foco principal será o trabalho preventivo a ser desenvolvido pela Guarda Municipal junto aos centros de educação infantil e escolas públicas, numa ação articulada com as forças policiais.
“Encaminhamos projeto ao Ministério da Justiça, para que tenhamos os recursos necessários à implementação destas ações”, informa Gilmar.
Nesta linha em favor “de menos discurso e mais trabalho”, a Prefeitura vai desenvolver ações de esporte, cultura e lazer voltadas para a juventude, que não pode continuar exposta aos traficantes.
Conforme o prefeito, sua gestão planeja criar núcleos na periferia da cidade onde se ofereçam aos jovens oportunidade de desenvolver seus talentos esportivos e artísticos.
Como parte desta estratégia, a administração planeja concluir a construção das praças da juventude no Parque do Sol e do Jardim Noroeste.
Promotor
Já o promotor Sérgio Harfouche, presidente do Conselho Estadual de Combate às Drogas, criticou a excessiva interferência do Poder Públicas nas questões familiares.
“A autoridade da família está comprometida. A Lei da Palmada foi nomeada como Lei Menino Bernardo para lembrar do caso de uma criança assassinada de forma brutal e não vejo qualquer proximidade dessa legislação com o que chamamos de disciplina”, afirmou.
A intervenção na educação doméstica, segundo Harfouche, acaba por se tornar uma porta para o envolvimento de jovens com as drogas.
“Logicamente que não apoiamos métodos violentos usados contra as crianças, mas classificar pais ou responsáveis como assassinos tende a fragilizar ainda mais as famílias, faz com que os filhos desacatem seus pais achando que isso lhes é de direito e os expõem às ruas que é reduto para o envolvimento com o mundo das drogas”, explicou.
O promotor também condenou a Lei 11.343, de 2006, que passou a punir mais brandamente aqueles considerados usuários de drogas.
“Desde a aprovação dessa lei, passamos de uma epidemia de drogas para uma pandemia, vemos uma degradante caminhada para o uso crônico das drogas”, salientou.
Dados do Ministério da Justiça mostram que Mato Grosso do Sul é responsável por mais de 80% de todas as apreensões de drogas realizadas no País.
Só no ano passado, as polícias do Estado tiraram de circulação mais de 136 toneladas de drogas, que tinham como destino grandes centros, como Rio de Janeiro e São Paulo, por exemplo.
Só nos primeiros seis meses deste ano, foram presas no Estado mais de 1.200 pessoas envolvidas com o tráfico, responsáveis pela circulação de quase 70 toneladas de drogas.

