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Produtores desafiam a Justiça e prometem montar milícias contra invasões em MS

por Redacao
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A liminar concedida pela juíza da 2ª Vara da Justiça Federal, Janete Lima Miguel, impedindo a realização de leilão para a criação de um fundo visando assegurar o direito de propriedade nas fazendas ameaçadas de invasões, não intimidou os fazendeiros de Mato Grosso do Sul.
Com apoio de deputados estaduais integrantes da bancada ruralista na Assembleia Legislativa, os fazendeiros, ainda assim, decidiram montar milícias para enfrentar a eventual entrada de índios em suas propriedades.
A decisão foi tirada ontem durante reunião entre a Famasul (Federação da Agricultura e Pecuária de MS)  e a Acrissul (Associação dos Criadores de Mato Grosso do Sul), que aprovaram a manutenção do movimento da resistência programado para este sábado (07).
A decisão foi anunciada em coletiva de imprensa ontem, na Famasul, em resposta à liminar concedida pela juíza magistrada.
De acordo com o presidente da Federação, Eduardo Riedel, o movimento é uma expressão legítima dos produtores em defesa do direito de propriedade e de sua integridade física.
“Com ou sem leilão, iremos nos reunir no dia 7. Se formos impedidos de nos unir para discutir nossos problemas, teremos a morte da democracia”, afirmou. Segundo o dirigente, as entidades ficaram sabendo da liminar por meio da imprensa. “Vamos manter a manifestação e assim que o processo estiver em nossas mãos, tomaremos as ações judiciais cabíveis”.
O presidente da Acrissul, Francisco Maia, salientou que o principal objetivo do leilão da resistência sempre foi a conscientização da população e dos produtores e não a formação de milícia como foi equivocadamente veiculado pela imprensa. “Quando há uma decisão judicial contra os indígenas, eles rasgam e agora eles pedem a proteção da Justiça?”, questionou.
Para o advogado dos produtores rurais das áreas invadidas de Sidrolândia, Newley Amarilla, a decisão judicial é um ato arbitrário e revelador da parcialidade da Justiça. “A Justiça concede uma liminar e manda para a imprensa primeiro, o que coloca em risco de maneira irresponsável  sua reputação”, destacou.
Também questionando a parcialidade do judiciário, o deputado estadual Zé Texeira lembrou o caso da fazenda Buriti. “Milícia foi o que os indígenas fizeram ao invadir armados a fazenda Buriti e enfrentar a polícia. A Famasul e a Acrissul não têm poder para contratar seguranças. Mas o produtor rural tem esse direito, garantido por lei”.
O movimento da resistência já tem a presença confirmada de mais de 2 mil produtores, da presidente da confederação da CNA (Agricultura e Pecuária do Brasil), senadora Kátia Abreu (PMDB-TO), do senador Ronaldo Caiado (DEM-GO), além da participação da bancada federal, dos deputados estaduais e de lideranças rurais de outros Estados.
Segundo a Acrissul, o leilão já arrecadou, por meio de doações, mais de 800 bovinos, além de animais de pequeno porte e grãos. Os promotores do leilão estimavam uma arrecadação de R$ 3 milhões que serão destinados a ações em defesa e proteção dos produtores de áreas invadidas.
Estiveram presentes na coletiva de imprensa, além das lideranças já citadas, a deputada estadual Mara Caseiro, o diretor secretário da Famasul, Ruy Fachini, o  assessor jurídico da entidade, Carlo Daniel Coldibelli, a advogada de produtores, Luana Ruiz, o produtor rural, Ricardo Bacha, assim como outros produtores rurais.  Atualmente existem 80 propriedades rurais invadidas em MS.
conjuntura/Foto: arquivo

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