Desmembrado de Mato Grosso há 36 anos, o Estado do Mato Grosso do Sul possui nas cadeias o 3º maior “exército” da falange criminosa do PCC (Primeiro Comando da Capital) do Brasil, segundo levantamento feito pelo Ministério Público do Estado de São Paulo. O grupo surgiu na Capital paulista para se espalhar, em maior ou menor intensidade, por todo o território nacional e com seus tentáculos chegando ao Paraguai e a Bolívia.
Sempre de acordo com o MPE paulista, MS possui um total de 558 integrantes já identificados do PCC, cujo contingente forma o terceiro maior do país, imediatamente atrás do próprio Estado de São Paulo, o primeiro, e em segundo, o Paraná.
Para o crescimento avantajado do PCC naquele Estado, que nasceu da divisão do velho Mato Grosso, estaria contribuindo o fator geográfico: MS faz divisa com São Paulo, o maior estado com integrantes da organização criminosa, com o Paraná, o segundo na contagem, e com a Bolívia e o Paraguai, os únicos dois países, além do Brasil, que aparecem com integrantes da organização em seus territórios.
O grupo, que possui arsenal bélico armazenado e ainda não apreendido pela polícia, além de pelo menos 10 mil integrantes soltos, espalhados pelo país, detém também recursos financeiros volumosos, pois teria uma arrecadação mensal de cerca de R$ 8 milhões, fruto dos crimes praticados. O PCC também se destaca pelo fato de ter hierarquia rígida, com os seus chefões – quase todos presos – dando ordens para que seus comandados em liberdade cometam vários tipos de crime, com destaque para roubos diversos, tráfico e a comercialização de armas e drogas.
Embora, até onde se saiba, o PCC não tenha estendido seus domínios para Mato Grosso, pela proximidade deste Estado com o MS, o fato tem sido motivo de preocupação das autoridades mato-grossenses, que já identificaram atividades ilícitas do grupo na região de Cáceres, na parte em que MT faz fronteira com a Bolívia – país “exportador” para o Brasil de cocaína refinada e pasta-base do produto, além de ser “hospedeiro” de veículos roubados no território nacional e que são trocados por drogas em solo boliviano.
Entretanto, assim como no Mato Grosso do Sul, também em Mato Grosso a presença do PCC é tratada com reservas pelos respectivos aparatos de segurança desses dois Estados, que alegam sigilo por se tratar de trabalho restrito às investigações e monitoramento dos setores de “inteligência” de suas polícias.
Nesse sentido, observa-se, tanto no MS como em MT, muita cautela quando se trata de abordar o tema PPC publicamente. Ao contrário do que está ocorrendo em São Paulo, onde o assunto vem sendo escancarado pela Imprensa que tem dado destaque às investigações do MPE paulista sobre a atuação do grupo. Por falar em SP, é a unidade da Federação onde a organização criminosa é mais forte e cuja atuação se faz sentir, dentro e fora dos presídios paulistas e que aliás, em sua maioria (mais de 90%) são dominados, dos muros para dentro, pelos líderes do PCC e seus fiéis “soldados”.
Esses dados são de uma investigação de três anos e meio do Ministério Público Estadual (MPE) de São Paulo, que concluiu o maior mapeamento da história do crime organizado no país. No decurso das gravações telefônicas autorizadas pela Justiça entre integrantes do bando, o MPE se deparou com chefões do crime nas cadeias trocando informações sobre uma suposta ordem para assassinar o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin. O fato levou o governo paulista a criar, em caráter emergencial, uma força-tarefa específica com o objetivo de endurecer a vigilância e repressão sobre o PCC.

