Quase a metade (45%) dos usuários brasileiros de crack e/ou drogas similares (pasta base, merla e oxi) já foi presa pelo menos uma vez, sendo que 41,6% foram detidos no último ano, segundo o “Perfil dos Usuários de Crack e/ou Similares no Brasil”, divulgado nesta quinta-feira (19) pelo Ministério da Justiça em parceria com o Ministério da Saúde.
As principais causas da detenção foram o uso ou posse de drogas (13,9%), assalto ou roubo (9,2%), furto, fraude ou invasão de domicílio (8,5%) e tráfico ou produção de drogas (5,5%).
Estimativas de uso regular nos últimos seis meses de drogas ilícitas (exceto maconha) e de crack e/ou similares, nas capitais do Brasil, por macrorregião
O levantamento leva em conta os usuários das capitais, do Distrito Federal e de nove regiões metropolitanas e municípios de médio e pequeno porte do país em 2012.
Definiu-se como “uso regular” o consumo da droga por pelo menos 25 dias nos últimos seis meses, seguindo definição da Opas (Organização Pan-Americana de Saúde) referente ao uso contínuo de entorpecentes.
Ainda segundo o perfil, os homens são os principais usuários de crack e/ou similares no país, correspondentes a 78,7% dos usuários. Eles também usam por mais tempo a droga (83,9 meses), frente aos 72,8 meses, em média, das mulheres. No entanto, elas consomem mais pedras de crack por dia do que eles: 21, em média, contra 13 dos homens, segundo o perfil de usuários.
As mulheres também lideram quando o assunto é se prostituir para sustentar o vício, isto é, trocar sexo por dinheiro ou mesmo por drogas: 29,9% das usuárias contra apenas 1,3% dos usuários. Entre as usuárias entrevistadas, cerca de 10% relataram estar grávidas e outros 10% disseram que não sabiam se estavam.
Entre elas, 22,8% disseram já ter engravidado de duas a três vezes desde que iniciaram o uso da droga; com percentual maior entre as usuárias das capitais (24,2%); 17,3% engravidaram pelo menos uma vez (15,3% nas capitais) e 6,5% engravidaram quatro vezes ou mais desde o início do consumo (7,3% nas capitais). No entanto, a maioria das usuárias do país (53,4%) disse nunca ter engravidado desde que começou a consumir a droga (53,2% nas capitais).
Número de vezes que as mulheres usuárias de crack/similares engravidaram desde que iniciaram o uso de crack e/ou similares, segundo local
Maioria dos usuários é jovem e vive na rua
A maioria dos usuários é de solteiros (60%) e grande parte não usa preservativos quando fazem relações sexuais por via vaginal (39,5%). De acordo com o perfil, pelo menos 5% destes usuários já foram infectados pelo vírus HIV no país, sendo 5,9% entre os usuários das capitais e 3% entre os moradores dos municípios.
Ainda entre os usuários de crack, apenas 20% são brancos e 80% ‘não-brancos’ (pretos e pardos).
O perfil mostra ainda que a maioria dos usuários (55%) estudou até a 8ª série do Ensino Fundamental e menos de 5% tem nível superior completo ou incompleto.
Entre os usuários brasileiros de crack e/ou drogas similares, aproximadamente 40% vivem nas ruas; dado superior nas capitais (47,3%) e menor nos municípios (20%). E a imensa maioria (64,9%) faz sua fonte de renda por meio de trabalhos autônomos ou bicos – dado superior nas capitais (67,6%) e também alto nos municípios (59,2%) – e por ganho de esmolas (12,8% dos usuários brasileiros no total; 13,4% nas capitais e 11,6% nos municípios).
