Um dos prédios mais marcantes da área de tombamento e entorno do tombamento do Conjunto Arquitetônico do Casario do Porto de Corumbá poderá ser revitalizado através de uma ação conjunta de seus proprietários e Prefeitura Municipal de Corumbá. Quando assumiu a prefeitura, Paulo Duarte instituiu a Fundação de Desenvolvimento Urbano e do Patrimônio Histórico, chefiada pela primeira dama Maria Clara Scardini que é arquiteta, para tratar desses assuntos. E ao que parece os reflexos começam a ser positivos a partir do memento em que a iniciativa privada procura o Poder Público para se adequar às normas previstas para intervenções em prédios históricos.

Wanderley & Baís, o primeiro imóvel a ser revitalizado no Casario do Porto de Corumbá. Foto: André Navarro
O Grande Hotel, localizado nas esquinas das ruas Frei Mariano e Dom Aquino, no centro de Corumbá, em frente ao Jardim da Independência, pertence a um grupo familiar. Responsável pelo espólio, Dado Katurchi, empresário do ramo de veículos, tinha o projeto de revitalização pronto, mas preferiu procurar a parceria da prefeitura para evitar cometer erros na obra, uma vez que as exigências são muitas por parte do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), para resguardar os imóveis, a maioria construída entre o final do século XVIII e início do século XVIIII com arquitetura europeia, destacando-se os franceses, espanhóis e portugueses.
Ao todo são 72 imóveis oficiais do tombamento que aconteceu em 1994, mas algumas centenas que estão na área de entorno entre no quadrilátero compreendido entre as ruas Manoel Cavassa no Porto Geral, Major Gama, Dom Aquino e Ladário. No ano que vem o tombamento completará 20 anos e o Iphan trabalha justamente a conscientização dos proprietários dos casarões para que haja conservação e revitalização desses imóveis. O Governo Federal oferece linhas de crédito com juro zero, dois anos de carência para o início do pagamento que pode ser parcelado em até 20 anos.
Com relação ao Grande Hotel, ele deverá ser preparado para voltar a receber hóspedes, talvez com o mesmo glamour que o tornou uma das mais propaladas hospedarias do centro oeste brasileiro. “A estrutura é antiga, porém bastante forte, não há fissuras, rachaduras ou comprometimento”, disse Maria Clara Scardini complementando que “o abandono causou degradação, precisará de uma grande reforma”. E é isso que o proprietário pretende fazer assim que for autorizado pelo Iphan que é o órgão responsável por aprovar os projetos. Ainda não há uma estimativa de custos da obra, o que deverá acontecer depois dos trâmites legais do processo.
O primeiro prédio a ser revitalizado, justamente para o tombamento, foi o Wancerley & Baís, que recebeu no processo a assinatura do arquiteto José Roberto Galo. A obra teve início em 1992 e a assinatura no livro do tombo aconteceu no primeiro andar do casarão de três andares que hoje abriga o Museu da História do Homem do Pantanal na rua Manoel Cavassa. Mas existem outros de grande magnitude, como a Casa Vasquez, também no Porto Geral e o Hotel Galileu, nas esquinas da rua Frei Mariano com a avenida General Rondon, que aguarda a liberação de verbas para revitalização.
