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Justiça determina que índios recebam água potável em MS

por Redacao
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A Justiça Federal determinou que a União abasteça, com água potável, os índios da etnia guarany-kaiwá da aldeia Ypo’i, em Paranhos, distante 477 quilômetros de Campo Grande.
O juiz substituto Érico Antonini, da 2ª Vara Federal de Ponta Porã, concedeu tutela de urgência, no último dia 16, a pedido do MPF (Ministério Público Federal), que divulgou decisão nesta quarta-feira (23).

O ministério ajuizou ação civil pública após receber denúncia, em novembro de 2012, de possível contaminação no córrego Ypo’i, única fonte de água da comunidade que tem 150 indígenas.

O G1 entrou em contato com a Fumai (Fundação Nacional do Índio) e com a Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena). A procuradoria jurídica da Funai informou que foi notificada da decisão nessa terça-feira (22) e que ainda não se manifestou no processo porque está analisando as medidas cabíveis.
Já a assessoria do Ministério da Saúde, órgão ao qual a Sesai é subordinada, afirmou que a secretaria está tentando restabelecer o fornecimento de água potável por caminhão-pipa em Paranhos, interrompido por conta da troca da gestão municipal.

Sem ouvir a União e a Sesai, o magistrado determinou que a água potável seja fornecida imediatamente e com frequência não superior a 15 dias.

“Embora dispositivo infraconstitucional imponha a ida dos autos à União por 72 horas, antes da decisão sobre a liminar, a possibilidade iminente de ingestão de água contaminada por seres humanos aponta para a emergência a afastar a regra legal. […] O aguardo poderia ocasionar morte”, argumentou Antonini na decisão.

O magistrado estipulou multa de R$ 2 mil por dia em que não ocorra o fornecimento, a ser aplicada à União e a ser revertida em favor da comunidade indígena.

Mesmo com a decisão provisória, o MPF quer, ao final do processo, que a União forneça permanentemente água potável suficiente aos índios que vivem na aldeia, com sistema de abastecimento, armazenamento e distribuição.

Contaminado?

O leito do córrego teria sido coberto por uma grande quantidade de espuma branca formada por produtos químicos no dia 14 de novembro. O Ministério Público Federal recebeu para análise amostras da água do córrego e um vídeo publicado na internet.
Em dezembro de 2012, o ministério alegou que buscou, extrajudicialmente, solução para o caso. Segundo o órgão, foi solicitado ao DSEI/MS (Distrito Sanitário Especial Indígena), que viabilizasse o fornecimento de água, ao menos quinzenalmente, à comunidade indígena de Ypo’i.
O pedido foi negado, com o argumento de que não é possível abastecer comunidades que estão em áreas ainda não regularizadas como terras indígenas, que é o caso de Ypo’i.

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