Aprovada por setores do PT, a aproximação com o PSDB em Mato Grosso do Sul está causando polêmica entre os petistas. Na contramão do presidente regional da sigla, Marcus Garcia, membros da executiva classificaram eventual coligação com os tucanos uma regressão na política de alianças e se negam a abrir vaga de candidato a senador ao PSDB em chapa possivelmente comandada pelo senador Delcídio do Amaral (PT).
“Estaríamos elegendo um senador que fará oposição ao governo Dilma. Isso vai na contramão do projeto nacional do partido que é o de ampliar sua bancada na Câmara e no Senado para garantir uma administração tranquila à presidenta no seu segundo mandato”, disse Ronaldo Sandim, secretário de Mobilização da executiva estadual do partido, sobre eventual candidatura do deputado federal Reinaldo Azambuja (PSDB) ao Senado.
Segundo Kátia Guimarães, secretária de Mulheres do PT regional, existe uma resolução nacional proibindo alianças com o PSDB em função das diferenças programáticas, políticas e a postura intransigente do PSDB com os governos do PT. “Eu respeito as instâncias partidárias e o quarto congresso do partido tem uma resolução clara contra as alianças com o PSDB, porque são projetos antagônicos para o País”, comentou.
Sandim também ponderou sobre as diferenças programáticas entre o PT e o PSDB. “São duas políticas diferentes para o país. Uma privatizante, outra que defende o patrimônio público. Uma promove políticas públicas de inclusão social, outra defende o neoliberalismo. Qual a base programática comum para que se justifique tal aliança? Ou é uma aliança meramente eleitoral? E depois da eleição? Vamos governar o Estado com o programa do PT ou do PSDB?”, indagou
Para Kelly Cristina da Costa, secretária de Finanças da executiva estadual, “é preciso sim nacionalizar o debate. Afinal o que se propõe é eleger um senador do PSDB com os votos dos petistas. Azambuja vai apoiar o governo Dilma? Ou continuará fazendo oposição intransigente, como atualmente faz na Câmara dos Deputados?”, questionou.
Divididos
Os três dirigentes integram a corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), comandada pelo vereador Zeca do PT em Mato Grosso do Sul. Da mesma forma que os três correligionários, Zeca é contra a parceria com o PSDB na sucessão estadual. Por outro lado, o senador Delcídio do Amaral (PT) afirmou que a aliança com o PSDB vem se consolidando no Estado e defende a união com os tucanos em 2014.
Diante das divergências, o presidente do partido promete amplo debate sobre coligações. Ele, no entanto, adiantou não abrir mão de aliados. “O PSDB, além de ser uma força política considerável no Estado, é um partido que ajudou o PT nas últimas eleições e não dá para o PT abrir mão de apoio”, ponderou o dirigente.
