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Favela símbolo do turismo carioca fica vazia durante a Rio+20

por Redacao
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Pacificada, a comunidade do morro Santa Marta, em Botafogo, tornou-se um ponto turístico no Rio de Janeiro. Mas a favela, que já recebeu fenômenos da música pop como Mickael Jackson e Madonna, está quase esquecida pelos visitantes durante a Rio+20.

O morro Dona Marta, que já recebeu Michael Jackson e Madonna, foi 'esquecido' pelos visitantes da Rio 20

Logo no momento em que o Rio de Janeiro está completamente lotado, Santa Marta tem recebido menos gente do que o habitual nos seus mirantes para a lagoa Rodrigo de Freitas e a praia de Botafogo. “Nossa, quase não tem movimento nenhum. Normalmente eu faço um tour grande a cada dois dias. Agora a cada três, quatro dias a gente pega um grupo pequeno”, conta Thiago Firmino, guia da favela.

Os comerciantes também reclamam. Luiz Fernando Silva de Castro, 16 anos, ajuda a mãe numa barraca de souvenires ao lado da laje de Michael Jackson, onde está a estátua do cantor que gravou clipe no local em 1996. “Hoje não vendi nenhum”, diz ele, que conta com opções de R$ 2 a R$ 15. Os bares populares também estavam parados em pleno horário de almoço.

O próprio Firmino tem a explicação para a falta de movimento no morro. “Acho que o pessoal está muito envolvido nas discussões da Rio+20. Santa Marta (Botafogo) fica bem próximo da Cúpula dos Povos (no aterro do Flamengo) e normalmente atrai bastante gente preocupada com o social. Mas eles devem estar nas manifestações por aí”, explica o guia, que resolveu distribuir folhetos no Forte de Copacabana durante a tarde para ver se atrai alguém depois que a conferência terminar, nesta sexta-feira.

Mas, de vez em quando, os moradores ainda se deparam com alguma personalidade que aproveita uma brecha nas discussões e aparece por lá. Na quarta-feira, quem deu o ar da graça foi Muhammad Yunus, prêmio Nobel da Paz em 2006 por seu trabalho diante do chamado “Banco dos Pobres”, em que concede microcrédito a pessoas carentes na Ásia. Pouca gente na favela o conhecia, no entanto.

Alguns jornalistas estrangeiros também apareceram. A colombiana Arantxi Lopez, correspondente da rede de TV EITB, do País Basco, estava empolada em poder vivenciar um pouco da rotina do local. Ela falou com o comandante da unidade de polícia pacificadora (UPP) Márcio Rocha, que também deu o mesmo diagnóstico do clima da favela nos últimos dias: “Estamos em absoluta tranquilidade.”

Sobre a Rio+20
Vinte anos após a Eco92, o Rio de Janeiro volta a receber governantes e sociedade civil de diversos países para discutir planos e ações para o futuro do planeta. A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, que ocorre até o dia 22 na cidade, deverá contribuir para a definição de uma agenda comum sobre o meio ambiente nas próximas décadas, com foco principal na economia verde e na erradicação da pobreza.

Depois do período em que representantes de mais de 100 países discutiram detalhes do documento final da Conferência, o evento ingressou quarta-feira na etapa definitiva e mais importante. Até amanhã, ocorre no Riocentro o Segmento de Alto Nível da Rio+20, com a presença de diversos chefes de Estado e de governo de países-membros das Nações Unidas.

Apesar dos esforços do secretário-geral da ONU Ban Ki-moon, vários líderes mundiais não vieram ao Brasil, como o presidente americano Barack Obama, a chanceler alemã Angela Merkel e o primeiro ministro britânico David Cameron. Além disso, houve impasse em relação ao texto do documento definitivo, que segue sofrendo críticas dos representantes mundiais. Ainda assim, o governo brasileiro aposta em uma agenda fortalecida após o encontro.

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