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Taxistas curiangos denunciam monopólio do setor na Capital

por Redacao
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Taxistas de Campo Grande, que não são proprietários – conhecidos como Curiangos – apelam às autoridades dos três poderes da Capital e do Estado, para regularizar a situação deles que estariam sendo duramente explorados pelos cerca de 100 proprietários de toda frota de táxi da cidade, ou seja, cerca de 420 veículos. Só uma comerciante, do ramo de embalagens, possui 35 carros com seus respectivos pontos. Outro, empresário rural, segundo os próprios curiangos, possui mais de 50 veículos.

“Além de monopolizarem toda frota, os verdadeiros taxistas exploram os curiangos pagando pouco pelo seu trabalho. Além disso não temos direito assegurado algum. Não temos 13º salário, férias e outros benefícios”, desabafa o taxista J.P.S, de um ponto na área central da cidade, que prefere não se identificar para não sofrer represália. Ele contou que é comum o proprietário dispensar curiangos por motivos banais.

Outra fonte, o taxista O.L.S. também de um ponto da área central, que não se identifica pelo mesmo motivo, disse que existe uma lei federal que obriga o dono do táxi, no caso, efetuar o pagamento do INSS dos curiangos. Em Campo Grande, segundo ele, isso não ocorre em ponto algum da cidade.

Eles dizem também que são uma categoria sem representatividade sindical, já que o Sindicato dos Taxistas de Campo Grande é, na realidade, um sindicato patronal, pois somente os proprietários ditam as regras. “Nós não temos vez nem voz nesse sindicato. E pior: eles não permitem que nos organizemos sindicalmente, pois vêem isso como uma ameaça às suas regras exploratórias a que somos submetidos há décadas”, contou O.L.S. informando ainda que são cerca de 900 curiangos na Capital.

CUSTO DE UM PONTO – “Você sabia que um ponto de táxi, sem o veículo, custa hoje em torno de R$ 300 mil em Campo Grande?”, questionou o curiango O.L.S. garantindo que é isso mesmo. Que os pontos têm esse valor elevadíssimo no mercado. Isso acaba impedindo que os empregados dos taxistas adquiram pontos para trabalhar como proprietários.

As duras críticas se estendem também à Prefeitura de Campo Grande, que, na opinião deles, deveria impedir esse tipo de monopólio com um serviço público, concedido por ela (Prefeitura). As críticas se estendem também aos vereadores: “Eles fazem vista grossa de toda essa situação e por isso não vemos perspectiva alguma de acabarmos com as irregularidades nesse serviço”, comentou J.P.S.

O recente processo de abertura de novas vagas para taxistas em Campo Grande, coordenado pela Prefeitura, também recebe críticas dos curiangos que denunciam novas investidas dos atuais proprietários monopolizadores, de procurar abocanhar as novas oportunidades que estão em processo de abertura.

“Não temos a quem recorrer. Por isso precisamos do apoio de todos os poderes constituídos para tentar reverter de uma vez por todas essa situação. Esperamos também que se algo for feito aqui para mudar, as transformações vão tomar força em todo o Brasil, já que o problema é generalizado nas cidades e Estados brasileiros”, comentou outro curiango que prefere não ser identificado para não sofrer represália dos donos dos táxis que ficam em casa ou tocando outros negócios enquanto eles, empregados, trabalham 24 horas por dia para ganhar R$ 90,00, “no máximo”.

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