Setembro foi o mês escolhido pelo MPA (Ministério da Pesca e Aquicultura) como “o mês para comer mais peixe”. Além disso, o Ministério instituiu a Semana do Peixe, lançada no dia 11 de setembro. Diversas atividades fazem parte da programação nacional. Em Mato Grosso do Sul, boa parte das ações foram voltadas para o II Encontro de Piscicultores de MS, que aconteceu de 15 a 17 de setembro, em Dourados.
O superintendente do Ministério da Pesca e Aquicultura, Paulo Roberto da Silva, acompanhou a programação do II Encontro de Piscicultores. Em entrevista ao Midiamax, Paulo falou das expectativas do setor no Estado e de projetos que visam transformar MS no terceiro Estado em produção de pescado.
Midiamax: Qual a participação do Ministério da Pesca e Aquicultura no II Encontro de Piscicultores do Estado de MS?
Paulo Roberto: Esse encontro foi organizado por uma série de instituições. O Ministério não tem uma participação muito grande na formulação do Encontro, mas bastante importante na mobilização dos aquicultures do Estado e também da rede. Temos aqui a participação de três salas virtuais de formação profissional técnica na pesca e aqüicultura, proporcionamos o deslocamento dessas turmas para o encontro, que está sendo de alto nível, do ponto de vista de integrar a pesquisa científica com as experiências práticas. Na quinta-feira um empresário do Mato Grosso fez alguns relatos do ponto de vista mais prático do que é a aqüicultura do Estado vizinho. Juntando formação profissional, pesquisa científica, geração de tecnologia e a produção.
Midiamax: Os produtores estão participando do Encontro? Qual era a expectativa em relação à participação do setor?
Paulo Roberto: Eu estou surpreso! Eu vejo que na plenária tem mutos estudantes, mas tem também aquicultores e piscicultores, inclusive aqui da região de Dourados. Fiquei particularmente surpreso com a participação de aquicultores familiares, tem inclusive um grupo de aquicultores indígenas, e aquicultores assentados localizados na região de Rio Brilhante, Nova Alvorada do Sul e também da Itamarati de Ponta Porã. Tem bastante empresário, mas também têm a participação de pequenos produtores, alguns iniciando, alguns querendo iniciar na atividade. Temos um cenário muito promissor para frente. Acho que isso está sinalizado aqui no Encontro.
Midiamax: Como podemos avaliar o trabalho do Ministério nesses últimos anos?
Paulo Roberto: Quando o ex-presidente Lula assumiu, em 2002, criou, em um primeiro momento, uma Secretaria Especial, que tinha a missão de fazer uma radiografia da pesca e aqüicultura no Brasil, dado o grande potencial que o país tem de ampliar a produção e o consumo do pescado. Para se ter uma idéia, a carne mais consumida no mundo é o peixe, cerca de 17 quilos por pessoa. No Brasil, cada pessoa consumia, quando o Lula assumiu, seis quilos. Agora está consumindo nove, em média. Aqui no Estado, os dados mais otimistas, demonstram que consumimos cerca de três quilos por pessoa, ou seja, não temos o hábito de consumir peixe.
Midiamax: Existem projetos para aumentar o consumo no país?
Paulo Roberto: No mês de setembro, já pelo oitavo ano consecutivo, o Ministério da Pesca e Aquicultura desenvolve uma campanha para incentivar o consumo do pescado. Este ano o foco é ‘o consumo regular de pescado como instrumento de manutenção e de equilíbrio da saúde’. A Organização Mundial da Saúde recomenda que cada pessoa coma ao menos 12 quilos de pescado/ano. Isso dá um quilo por mês, 250 gramas por semana, o que vai dar mais ou menos duas refeições por semana. Aqui no Estado estamos comendo uma refeição por mês.
Midiamax: Como está sendo feita a divulgação da Semana do Peixe no Estado e no país?
Paulo Roberto: Essa Semana do Peixe, que o Ministério articula, esse ano teve um foco mais direcionado à questão da saúde relacionada ao consumo do pescado. Em nível nacional essa campanha acontece nas grandes redes de comunicação e também nas grandes redes de distribuição no varejo. Nós aqui no Estado estamos replicando isso nas redes de varejo menores, redes mais locais. Mas também se aproveitando dos espaços que temos nos meios de comunicação, para divulgar os benefícios do consumo de peixe.
Midiamax: Como está a produção do pescado em Mato Gross do Sul?
Paulo Roberto: O Estado tem uma produção importante de peixe hoje. Produzimos cerca de 17 mil toneladas por ano e consumimos internamente uma média de cinco mil. Então sobra muito peixe que é exportado para São Paulo e para o Paraná.
Midiamax: E Dourados? Por que a escolha da cidade para receber o Encontro?
Paulo Roberto: Dourados hoje, no Estado, é um importante centro produtor de peixe. Aliás, 50% da produção estadual está situada aqui em Dourados. Além disso, a cidade é um importante centro gerador e distribuidor de tecnologia da aqüicultura. Nós temos em Dourados, uma unidade de pesquisa na Embrapa em parceria com o MPA, que faz pesquisa em aqüicultura. Inclusive essa unidade está sendo ampliada e vai dobrar a capacidade de pesquisa. Temos um grande centro experimental de aqüicultura projetado para ser construído na UFGD [Universidade Federal da Grande Dourados], em parceria com o Ministério da Pesca. Na sexta-feira (16), houve uma reunião com o chefe da Embrapa e com o reitor da UFGD, para finalizar o projeto e rapidamente começar a implantação. No mês de outubro o Ministro da Pesca deve estar em Dourados para discutir a implantação de um curso de graduação na área de aqüicultura e pesca na UFGD. Dourados situa metade da produção e certamente boa parte da geração tecnológica e da difusão dessa tecnologia.
Midiamax: Existe previsão para crescimento da produção de pescado no Estado após a implantação desses projetos?
Paulo Roberto: Não só desses projetos, mas outros que estamos espalhando por todo o Estado. Eu acredito que a produção em Mato Grosso do Sul, nos próximos cinco anos, terá um deslocamento grande para a região noroeste. Estamos implantando lá o Parque Aquicola de Ilha Solteira. Eu acredito que até a metade do próximo ano a gente finalize a implantação desse parque. Para se ter uma idéia, vai elevar a produção do Estado de 17 mil toneladas para cerca de 80 mil, e até o ano de 2020, o planejamento nosso é o Estado produzir cerca de 200 mil toneladas. Vamos multiplicar nossa produção por 10. Nós vamos figurar certamente entre os três maiores produtores de pescado do Brasil. Sairemos da oitava produção para a terceira. Mas teremos uma ‘turbinada’ muito imediata em 2012. Acredito que iremos para 50 a 80 mil toneladas/ano já no final de 2012. Essa é a expectativa nossa.
Midiamax: Como se configura a produção na região da Grande Dourados? Existe uma constante?
Paulo Roberto: A expansão da produção no território da Grande Dourados, está baseada fundamentalmente nas pequenas unidades de produção, localizado nas comunidades indígenas e nos assentamentos da reforma agrária. Na quarta-feira (14), tivemos um grande seminário de assistência técnica, que vai atender os 13 municípios da Grande Dourados. A intenção é a assistência técnica chegar até o pequeno.
Midiamax: Por que a preocupação com os pequenos produtores?
Paulo Roberto: Nós entendemos que aquele médio e grande produtor que está na área da aqüicultura, carece da assistência técnica, mas tem as condições financeiras de pagar, de contratar um técnico da iniciativa privada para fazer seu processo de licenciamento, as biometrias, a recomendação técnica para engordar seu peixe. O pequeno não tem essa possibilidade, portanto marginalizado da possibilidade de aproveitar o recurso natural que é público e está disponível para a atividade. Ele fica com o acesso indisponível, por que a assistência técnica é um insumo importante nesta cadeia produtiva e as pessoas ainda não dominam muito o sistema de produção. Nós lançamos esse programa na quarta (14 de setembro), já tem uma equipe técnica para prestar a assistência nas comunidades e assentamentos, comunidades de agricultores tradicionais, quilombolas e também a comunidade indígena.
