Índios da tribo Guarani, da cidade de Caarapó, a 273 km de Campo Grande (MS), exigem a retirada de uma usina de produção de etanol administrada pela companhia Raízen, uma joint venture entre a companhia brasileira Cosan e a multinacional britânica Shell, e a redução das áreas de plantio de cana-de-açúcar.

Índios guarani Kaiowás, Mato Grosso do Sul - outubro de 2000. Aldeia Paraguaçu, município de Paranhos, MS. Índios mostram armas de fogo e arco e flecha em área de conflito da luta pela terra
Em carta escrita em julho deste ano, mas divulgada nesta semana pela organização Survivor International, sediada na Inglaterra, os indígenas da comunidade Guymaoka afirmam que desde o início do plantio da cana na região, em 2005, não é possível encontrar ervas e outros vegetais utilizados para elaborar remédios artesanais.
Em um trecho da carta, os indígenas afirmam que após o funcionamento da usina, em 2010, “a saúde ficou ruim para todos, as nascentes de rios ficaram rasas e os peixes de rios e lagoas sumiram”.
De acordo com a Survivor, os índios Guarani têm sofrido com a falta de mapeamento de terras para uso exclusivo, que deveria ser realizado pelo governo federal, alegando que a população indígena fica vulnerável à exploração dos canaviais.
A Raízen informou por meio de comunicado que trabalha “de forma proativa em busca de uma solução consensual para a questão que envolve o cultivo de cana em Caarapó, cuja área encontra-se sobre litígio”.
O comunicado informa ainda que a empresa mantém diálogo com as partes envolvidas, respeitando os direitos da população indígena e o das entidades jurídicas com as quais a Raízen tem relações comerciais e contratuais.
G1ms
