O flagrante de um pai ao ver o filho, de 8 anos, sendo abusado sexualmente por um marinheiro fluvial de 55 anos fez a Polícia Civil identificar um novo caso de pedofilia em Corumbá. O acusado, Júlio Tadeu Xavier de Souza, confessou a autoria e foi preso em flagrante por estupro de vulnerável e pode pegar até 15 anos de prisão se condenado judicialmente. Na casa dele, no bairro Cristo Redentor, os policiais encontraram revistas pornográficas e diversas fotos de crianças. O menino, que seria vítima dos abusos há dois anos, vai precisar de intenso e delicado acompanhamento psicológico para não desenvolver qualquer tipo de trauma futuro.
“O fato foi confirmado pelo autor. No depoimento, disse que tem praticado sexo com a vítima há mais ou menos um mês e meio e fazia isso porque achava que a criança gostava”, contou a este Diário o delegado de Polícia Civil Enilton Zalla, responsável pelas investigações. Souza teria dito que a vítima chegou à porta da casa dele e perguntou se ele tinha dinheiro. “Ele disse que tinha dois reais e o menino queria o dinheiro. Então, foi com a vítima para o quarto tirou a roupa dele, deitou-se na cama e também se despiu. Momentos depois, o pai da criança flagrou a cena”, informou o delegado.
A criança revelou que desde 2009 era abusada pelo acusado, que morava numa casa nos fundos do terreno onde o pai da vítima reside. “Esse senhor dava dinheiro; balas; canetas e todo o tipo de atrativo para que a criança se deitasse com ele para algum tipo de ato libidinoso”, afirmou o delegado que destacou o trabalho da Polícia Militar que rapidamente encaminhou o acusado para o Distrito Policial ainda na noite da terça-feira, 12 de abril.
Enilton Zalla contou ter ouvido atentamente a vítima na delegacia, que estava acompanhada por um psicólogo, e a precisão dos fatos narrados pela criança – mesmo claramente abalada psicologicamente – foram fundamentais para a Polícia. “O detalhe das coisas que ela falava são coisas que uma criança de 8 anos não consegue inventar se não tiver vivido”, ressaltou o delegado, que esclareceu que o crime de estupro de vulnerável, previsto no artigo 217 A do Código Penal , é hediondo e “uma inovação da legislação penal, que considera estupro mesmo sendo homem, que diz que é estupro conjunção carnal ou outro ato libidinoso com menores de 14 anos”.
A descoberta do crime aconteceu porque a criança estava com o pai na frente de casa e de repente sumiu. Ao perceber a ausência do filho, o pai saiu para procurá-lo e o encontrou à beira da cama com o marinheiro fluvial. “A vítima de repente desapareceu e foi para casa desse autor. Vê-se aí o quanto essa criança estava corrompida, deturpada, viciada pelo autor para que fosse lá satisfazer a libido dele”, complementou o delegado. “O caso se encaixa perfeitamente como pedofilia. É o caso de mais um pedófilo aqui em Corumbá”, declarou o delegado Zalla, que tem dez dias para concluir o inquérito e encaminhá-lo para a Justiça.
Preocupação com a criança e ficar alerta
A maior preocupação depois da descoberta do caso e prisão em flagrante do acusado é com a criança. Na verdade, em evitar traumas futuros ao menino que por dois anos foi submetido a seguidos abusos sexuais. “O que mais temos de ter atenção agora é o acompanhamento do menino. Se esse menino não tiver tratamento psicológico cabível e principalmente, um apoio do pai, uma presença paterna muito forte, esse menino lá na frente vai ter problema”, observou o delegado Enilton Zalla.
O responsável pelas investigações destacou que essa situação toda vivida pelo garoto pode ficar “enraizada no inconsciente” do menino e provocar atitudes futuras que não se conseguiria explicar. “Fica engavetado na consciência dele, ainda que ele não se lembre. Mas, muitas vezes pode levar a um comportamento sexual desvirtuado lá na frente. Não estou dizendo que vá acontecer”, complementou.
Diante da monstruosidade do caso, Zalla fez um alerta direto aos pais e mães de Corumbá e Ladário: “pais que perceberem que os filhos estão mudando o comportamento, ficando muitas vezes acanhados, medrosos, aparecendo com presentinhos, dinheiro que não conseguem identificar a origem, podem investigar, comuniquem o fato à Polícia porque há grande chance de ser um caso de abuso sexual”, finalizou.
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