Divulgado no dia 31 de março de 2011 pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) unidade do Pantanal, uma nova previsão de cheia para o rio Paraguai, principal afluente do Pantanal. De acordo com o modelo de previsão de cheias com base na régua de Ladário – MS (Modelad), o rio deverá chegar ao pico entre os dias 22 de abril e 5 de maio, com intervalo previsto entre 5m10 a 5m96.
Segundo o pesquisador Ivan Bergier, responsável pelo Modelad, o nível provável do pico é de 5m53, considerando que desde o dia 15 de março o rio vem subindo 4 cm por dia.
De acordo com Carlos Padovani, também pesquisador da Embrapa Pantanal, explicou que neste ano a cheia está “diferente” em função do excesso de chuvas que ocorreu entre janeiro e a primeira quinzena de março.
“Devemos esquecer o conceito de normal porque no Pantanal cada ano é diferente do outro”, disse ele. Não se sabe ainda como será o efeito de duas ondas de cheia que atingem a planície pantaneira. Uma delas, que já ocorreu, é a cheia que veio das bacias dos rios Miranda e Aquidauana, provocada pela chuva de aproximadamente 900 mm do início do ano. “Esses rios de planalto têm uma resposta mais rápida. Choveu, eles sobem”, afirmou Padovani.
Mas a cheia anual do rio Paraguai, provocada pelas chuvas que atingem a borda do Pantanal entre o final de um ano e início de outro, ainda não chegou a Corumbá (e, consequentemente, à régua de Ladário). Essas águas levam cerca de três a quatro meses para atingir a planície. Segundo os pesquisadores, quanto maior a cheia, mais cedo ocorre o seu pico.
A pesquisadora Márcia Divina de Oliveira observou que a decoada deve continuar até o pico da cheia. Trata-se de um fenômeno natural do Pantanal que está relacionado ao ciclo de inundação.
Há decomposição de matéria orgânica, que altera a quantidade de oxigênio da água, podendo provocar a mortandade de peixes. “As águas vindas do norte do Pantanal ainda não chegaram e já houve registros de morte de peixes em algumas regiões”, disse Márcia.
VARIÁVEIS
Os pesquisadores explicaram que é difícil fazer previsões precisas sobre a cheia. “São muitas variáveis e trabalhamos muito com hipóteses”, disse Padovani. Ele pediu apoio do Sindicato Rural de Corumbá, para que os pecuaristas, que estão sempre no campo, passem mais informações a Embrapa Pantanal.
Padovani também solicitou ao presidente do sindicato, Raphael Kassar, e ao comandante Eduardo Almeida, do Serviço de Sinalização Náutica do Oeste da Marinha (6º Distrito Naval), apoio para a implantação de mais estações para medir o nível do rio Paraguai. Atualmente a Marinha é responsável por seis estações.
“Se tivermos mais dados e com a constância da régua de Ladário, poderemos oferecer previsões mais precisas”, disse o pesquisador.
Kassar se colocou à disposição e disse que vai buscar o apoio do governo do Estado de Mato Grosso do Sul e dos senadores do Estado para a implantação de mais estações de medição. “Esse é o momento. Os canais estão abertos e todos já perceberam que as perdas para o país são muito grandes”, afirmou o presidente do sindicato.
