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Aos 93 anos, Arany Moraes é exemplo de amor e dedicação ao Esporte Clube Comercial

por Redacao
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Arany Moraes, piloto aposentado da FAB (Força Aérea Brasileira)

As glórias do Esporte Clube Comercial continuam bastante vivas na memória de seus torcedores mais ilustres. Só quem vivenciou os tempos áureos do futebol sul-mato-grossense é capaz de explicar uma paixão que perdura mais de 68 anos, mesmo que a realidade para os clubes do estado, hoje, se apresente de forma um tanto distinta.

É o caso do Sr. Arany Moraes, piloto aposentado da FAB (Força Aérea Brasileira), que, aos 93 anos, nutre pelo Comercial o mesmo fanatismo e admiração dos tempos de outrora. Torcedor dos mais dedicados, ele só deixa de comparecer aos jogos quando existe alguma impossibilidade. “Não perco um jogo do Comercial, desde quando o time ainda era amador; mas, como já não posso dirigir longas distâncias, só não vou ao estádio se não encontro alguém que me leve até lá”, conta. Filhos e netos costumam se revezar na tarefa de acompanhá-lo nos jogos.

Comercialino em Mato Grosso do Sul e botafoguense, no Rio de Janeiro, Sr. Arany confidencia que, nas ocasiões em que as duas equipes se enfrentaram, sempre torcia por um empate, “que era pro coração não ficar dividido”.

Pai de três filhos e avô de oito netos, Sr. Arany procurou transmitir a paixão colorada aos seus descendentes, porém sem muito sucesso em um dos casos. “Uma vez levei meu neto a um ‘Comerário’, não me lembro exatamente o ano. O Comercial abriu o placar e nada dele comemorar; de repente, o Operário empatou, e o garoto começou a pular na arquibancada. Foi uma tristeza tremenda, uma decepção danada”, narra o comercialino com bom humor.

Quando questionado sobre a maior emoção que o Comercial já lhe proporcionou, Sr. Arany se diz incapaz de enumerar apenas uma. “O Comercial já me deu tantas alegrias, são todas especiais, difícil escolher uma só. Um jogo marcante foi a vitória contra o Operário, em 1973, que nos garantiu o direito de representar o estado no campeonato nacional. Há, ainda, a vitória de 1×0 sobre o Santos, com Pelé em campo. Naquela época, o Comercial enfrentava os grandes clubes do país com muito equilíbrio e igualdade, foram períodos memoráveis”, diz.

Saudoso, ele também se lembra dos tempos em que os jogos do Comercial mobilizavam 40, 50 mil torcedores. “Pode ser algo impensável para quem acompanha o futebol sul-mato-grossense apenas nos dias de hoje, mas não foram poucas as vezes em que assisti aos jogos do colorado num Morenão lotado, com ônibus e mais ônibus cheios de torcedores rumando ao estádio”, recorda Moraes.

Como emoção recente, Sr. Arany destaca a volta do Comercial para a primeira divisão do campeonato estadual, com a conquista do vice-campeonato, em 2007. “Para mim, era inconcebível um clube com a história e tradição do Comercial na segunda divisão. Atribuo todos os méritos dessa conquista ao atual presidente, Carlos Alberto de Assis que, em 2007, assumiu o clube em grave crise e, graças à sua persistência e dedicação, reergueu o Comercial, culminando, ainda, na conquista do título da séria A, em 2010. Assis é um presidente apaixonado; o Comercial tem um jogador a mais nos bastidores”, finaliza em tom elogioso.

“São torcedores como o Sr. Arany que me fazem persistir nesta incansável luta que é comandar um clube com poucos recursos. Ele é memória viva do Comercial, a prova de que a tradição nunca se apaga”, retribui Carlos Alberto de Assis, presidente do Comercial.

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