A Justiça do Pará condenou à prisão cinco delegados que cuidavam da carceragem de Abaetetuba (PA) em que uma adolescente de 15 anos ficou 26 dias presa com homens, sendo espancada e estuprada diversas vezes. O caso aconteceu em 2007. A delegada que conduziu a menina para a cela masculina –Flávia Verônica Monteiro– foi sentenciada a cinco anos.
Já Antônio da Cunha, Rodolfo Gonçalves, Celso Cordovil da Silva e Daniele Bentes –os outros delegados que trabalhavam na delegacia– foram condenados a quatro anos. Todos poderão recorrer em liberdade. A Folha não conseguiu localizá-los.
Adonai Mota, presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Pará, disse que a decisão é motivo de “indignação”. “Eles foram punidos por algo que não têm responsabilidade. Não temos que cuidar de presos. Isso quem faz é o sistema penitenciário”, disse, sobre o fato de a menina ter sido colocada na carceragem da delegacia.
Segundo ele, outro problema na sentença é não ter especificado a conduta de cada um dos delegados. “A decisão não individualizou. Jogou tudo no mesmo saco. Para mim, isso serviu mais como uma resposta à sociedade”, afirmou.
Todos já haviam sido demitidos em agosto deste ano. Em abril, a juíza que cuidava do caso da adolescente também foi punida pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) com a aposentadoria compulsória –pena administrativa máxima a um juiz. Ela continua recebendo salário.
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