O custo da produção na bovinocultura mato-grossense apresenta leve alta, de 3,30%, neste ano sobre 2009 no ciclo completo de cria e engorda do animal. Os produtores desembolsaram, até o mês de outubro, R$ 64,81 por arroba com gastos operacionais da porteira para dentro, sem contar a depreciação de máquinas e equipamentos e custo com a terra. Já no ano passado os custos chegavam a R$ 62,74/@. O plantio para a renovação da pastagem foi o maior responsável por este incremento, variando 73,74% de um ano para outro, ou seja, passando de R$ 2,78/@ para R$ 4,83/@.
A tabela do Custo Operacional Efetivo (COE), que inclui gastos com insumos, operações, aquisição de animal, impostos, financiamento, seguros e administrativo, está inclusa no boletim do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) que foi divulgada nesta segunda-feira (22). Se comparado aos preços atuais, a bovinocultura mato-grossense está apresentando boa margem, porém o preço médio da arroba no mesmo período ficou em R$ 75,67, ou seja, na maioria dos casos os produtores tiveram apenas uma sensação de lucro, já que o preço foi maior que o COE.
Conforme o levantamento, considerando somente o ciclo de cria do animal os custos subiram 7,86%, de R$ 59,25 por arroba para R$ 63,91 por arroba. Já na engorda a variação foi de 5,71%, de R$ 61,34/@ para R$ 64,84/@ neste ano. O superintendente do Imea, Otávio Celidônio, explica que o estudo indica um cenário de otimismo. Ele acrescenta que apesar do aumento na arroba do boi e da vaca gorda nos últimos meses, que variou em torno de 15%, o produtor foi penalizado com o aumento nos custos de produção.
Para o superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, a pesquisa confirma que o produtor não se beneficiou completamente com a valorização da arroba. Ainda assim, ele destaca que ainda não é possível certificar se o produtor tem rentabilidade suficiente para investir na fazenda. “Se os custos e a arroba mantiverem neste patamar de preço no próximo ano, o pecuarista poderá fazer investimentos na sua produção, sem esquecer dos problemas pontuais como a paralisação dos frigoríficos “.
No Custo Operacional Total (COT), que é a soma do COE, depreciação e custo da terra, foi observado um leve aumento de 0,41% no ciclo completo de cria e engorda do bovino. Nesse quesito, o levantamento do Imea mostra que o produtor gastou R$ 86,41 por arroba este ano contra R$ 86,06 em 2009.
Já na cria do animal o custo aumentou de R$ 78,53/@ para R$ 81,64/@, uma diferença de 3,96%. Na engorda, o desembolso cresceu 3,9% entre 2010 e 2009, alcançando R$ 74,94/@, ante a R$ 72,13/@ no ano passado. Levando em conta o COT, os itens de compõem este quesito não sofreram expressiva majoração nas despesas.
O custo fixo diminuiu 7,33%, caindo de R$ 23,32/@ para R$ 21,61/@ (no ciclo completo). Na cria a redução foi de 8,06%, de R$ 19,28/@ para R$ 17,72/@, enquanto na engorda a queda foi de 6,31%, de R$ 10,78/@ para R$ 10,10/@. O custo da terra registrou redução de 8,05%, de R$ 21,23/@ para R$ 19,52/@. Por outro lado, a depreciação de máquinas e equipamentos obteve aumento de apenas 0,48%, de R$ 2,08/@ para R$ 2,09/@.
