
O governador recebeu o dossiê
O governo do Estado e entidades parceiras encaminham ainda esta semana à Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) o pedido formal de reconhecimento do Geopark Bodoquena – Pantanal. Hoje (26) o governador André Puccinelli recebeu do Conselho Gestor do geoparque o dossiê com todo o levantamento que vai subsidiar a chancela do organismo internacional. A documentação vai ser remetida por e-mail e em versão impressa e encadernada, de 50 páginas, conforme é exigido pela comissão avaliadora. Em novembro, uma comitiva sul-mato-grossense também irá defender o reconhecimento em encontro direto com técnicos da Unesco, durante workshop sobre geoparques que acontecerá no Ceará.
O dossiê foi entregue ao governador pela superintendente regional do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan/MS), Maria Margareth Escobar Ribas Lima, e membros do Conselho Gestor, que é presidido pela diretora-presidente da Fundação de Turismo de Mato Grosso do Sul, Nilde Brun. Anexos ao compêndio seguem as cartas dos seminários realizados, histórico do trabalho, Plano de Desenvolvimento Territorial do Geopark Bodoquena Pantanal (PDTG), convenções internacionais das quais o Brasil é signatário e que se relacionam ao tema, relato do Patrimônio Cultural no Geopark e entorno; além do decreto estadual de criação, questionário de autoavaliação e os endossos institucionais.
De acordo com Margareth Lima, a etapa de autoavaliação – que é obrigatória – teve resultados muito positivos. Nos cinco itens avaliados, a nota obtida foi superior à pontuação mínima exigida pela Unesco, que é de 50%. No encaminhamento do dossiê, a ser feito pelo governo do Estado em documento assinado pelas demais instituições parceiras, Mato Grosso do Sul indica a satisfação de ter concluído um processo de quase cinco anos de trabalho e destaca que estará empenhado para viabilizar com a Unesco o reconhecimento internacional desse geoparque, que será o segundo chancelado pela instituição das Nações Unidas no Brasil. Até agora, somente no Ceará existe um geoparque reconhecido.
Por essa condição o Estado cearense vai sediar em novembro o 1º Workshop Latino-Americano e Caribenho com o tema “Aspirantes a Geopark”. O Iphan está organizando uma comitiva para marcar presença no encontro e defender a chancela da Unesco ao Geopark Bodoquena-Pantanal. Segundo Margareth Lima, a presença do próprio governador é importante perante o organismo internacional durante o evento, em Juazeiro do Norte.
O Geopark Bodoquena-Pantanal envolve 20 mil quilômetros quadrados de área central e mais 12 mil quilômetros quadrados de entorno na região sudoeste do Estado, onde estão situadas diversas riquezas geológicas, históricas e culturais nos territórios de Anastácio, Aquidauana, Bela Vista, Bodoquena, Bonito, Caracol, Corumbá, Guia Lopes da Laguna, Jardim, Ladário, Miranda, Nioaque e Porto Murtinho. Foram mapeados e incluídos no dossiê 45 geossítios, entre grutas, pedreiras, baías, minas, cachoeiras, nascentes, monumentos etc.
O Dossiê do Geopark Bodoquena Pantanal formaliza diversas atividades já consolidadas, tanto nas escalas de preservação e pesquisa, quanto nas áreas de turismo e desenvolvimento para a região da Serra da Bodoquena e Corumbá. Para atender às solicitações da Unesco, estão reunidas informações sobre a biodiversidade (patrimônio natural e paisagem) e a diversidade cultural (patrimônio imaterial, etnográfico, arqueológico, histórico, arquitetônico e paisagem cultural).
A presidente da Fundtur, Nilde Brun, explica que, mesmo já tendo sido oficialmente criado por decreto estadual, o aval da Unesco é de extrema importância para o geoparque. “Poderemos, além de colocar no roteiro internacional essa região que já tem nicho de mercado, de especialistas, de estudiosos, de cientistas que viajam o mundo inteiro para conhecer geoparques, além de colocá-lo nessa rede de comunicação, poderemos conseguir recursos que venham a fundo perdido para investir na região”. Conforme Nilde, uma das características marcantes de todo esse trabalho é o registro de toda a história geológica da região, com o conhecimento de informações que “dão alma ao nosso produto turístico”.
Para o presidente da Fundação de Cultura do Estado, Américo Calheiros, que também integra o Conselho Gestor, a expectativa é de que o reconhecimento fortaleça as ações culturais, trazendo uma visão nova da herança da terra, que deve ser valorizada, preservada e motivos de ações estratégicas que valorizem a sustentabilidade.
O Conselho Gestor é formado também por representantes do Imasul; Departamento Nacional de Produção Mineral; Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – Serviço Geológico do Brasil; Comando Militar do Oeste e prefeituras de 13 municípios envolvidos.

