O arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis, foi, literalmente, reclamar ao bispo, ou melhor, ao Papa. Saiu do Vaticano, cardeal. Como se sabe, é agora o nono cardeal brasileiro.
PhD em política, Bento XVI o nomeou para dar mais força à voz de Dom Damasceno, que comprou o embate com outros bispos contrários às manifestações políticas da igreja. Agora, sua fala tem um tom acima na escala católica e tem que ser ouvida e respeitada por aqueles que o faziam oposição. Bento XVI, assim, estabeleceu consequências normativas à rebeldia, sobretudo, da chamada igreja progressista.
O receio do Vaticano é que uma lei de descriminalização do aborto aprovada num país importante como o Brasil influencie mundo afora e seja um rastro de pólvora.
Quem entende de igreja tem a certeza de que a questão do aborto extrapolou a campanha eleitoral e percorrerá todo o próximo governo – com o risco de, se Dilma Rousseff for eleita, ter dificuldade em ser recebida pelo Papa.
