Entidades do Movimento Social decidiram organizar mais um protesto pacífico na sessão da Assembléia Legislativa, às 9h00, dessa quinta-feira, na Assembléia. Em seguida seguirão para a sede do Ministério Público Estadual e ao Ministério Público Federal, onde pedirão a investigação das denúncias de repasse de dinheiro do Caixa 2 da Assembléia Legislativa do Estado para o Governo do Estado, Tribunal de Justiça e o Ministério Público Estadual.
Na quarta-feira, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) de Mato Grosso do Sul e outras 15 entidades sindicais e sociedade civil entregaram à Polícia Federal ontem pela manhã pedido de investigação sobre o suposto esquema de desvio de recursos públicos do Estado. Na reunião das entidades, ontem à tarde, foi autorizada a publicação de nota de repúdio pedindo a investigação e respectiva punição dos envolvidos, a produção de 100 mil panfletos denunciando o escândalo e convocando as entidades para um concentração, às 9h00, na Praça da República, denominado ato pela Em Defesa da Cidadania e Contra a Corrupção, na sexta-feira haverá a panfletagem no centro da cidade.
O vídeo postado no Youtube revela o deputado Ary Rigo (PSDB), primeiro-secretário da Assembleia Legislativa do estado, contando detalhes de um suposto esquema ilegal de pagamentos, com o dinheiro da Casa.
O vídeo foi gravado com uma câmera escondida pelo secretário de governo de Dourados, Eleandro Passaia, sem o deputado saber. O encontro ocorreu em 12 de junho, num hotel em Maracaju (162 km de Campo Grande). A reportagem teve acesso a 32 minutos da conversa. Os vídeos em questão vazaram ontem (21) no Youtube.
A Folha apurou que o vídeo integra um conjunto de evidências levantadas por Passaia e entregues à Polícia Federal, que iniciou investigação sigilosa sobre o suposto pagamento de mesadas a autoridades de MS com dinheiro do duodécimo da Assembléia. O recurso é oriundo do Orçamento do estado para o custeio do Legislativo.
Em um dos trechos do vídeo, o deputado tucano conta a Passaia que a Assembleia “devolve” dinheiro para o governador André Puccinelli (PMDB). Em tom de reclamação, Ary Rigo diz que o valor entregue ao governador subiu de R$ 2 milhões para R$ 6 milhões. “Nós devolvíamos R$ 2 milhões em dinheiro para o André Puccinelli, R$ 900 para dar para os desembargadores e para o Tribunal de Justiça e R$ 300 para o Ministério Público. Cortou tudo. Agora vamos devolver R$ 6 milhões para o governo, por isso tá essa queda”, disse o tucano.
O corte também atingiu o que seria suposta propina paga aos deputados. Ary Rigo diz: “Lá na Assembleia nenhum deputado ganhava menos de R$ 120 mil. Agora, os deputados vão ter que se contentar com R$ 42”. Puccinelli tem o apoio de 20 dos 24 deputados da Casa.
Protesto – Os sindicalistas e a sociedade civil de Mato Grosso do Sul também promovem protesto ontem na Assembleia Legislativa do estado. Os manifestantes interromperam a sessão por várias vezes pedindo a investigação e punição dos deputados beneficiados pelo recebimento da suposta propina de R$ 120 mil mensais, conforme o tucano Ary Rigo contou no vídeo postado no Youtube.
“As declarações do deputado Ari Rigo são gravíssimas, colocam em risco a credibilidade de todas as instituições e não resta outra alternativa senão a intervenção no Estado”, defendeu o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Seguridade Social, Júlio das Neves.
Com informações da equipe Informes e assessoria sindical voluntária.
