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Bombeiros capacitam este ano 600 pessoas para prevenção de incêndios

por Redacao
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Municípios de Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Miranda e Bodoquena

Mesmo quando acionado com rapidez, as longas distâncias e a dificuldade nas estradas podem fazer um deslocamento do Corpo de Bombeiros para atendimento de ocorrência de incêndio em fazenda levar até duas, três horas. Enquanto isso, algumas ações rápidas adotadas por moradores ou trabalhadores locais bem preparados podem fazer a diferença entre a contenção e o alastramento do fogo. É isso que um projeto de educação ambiental do Corpo de Bombeiros de Mato Grosso do Sul instrui na região Oeste, entre o Pantanal e a Serra da Bodoquena.

Desenvolvido através do 1º Subgrupamento de Bombeiros sediado em Aquidauana, o trabalho abrange também os municípios de Anastácio, Dois Irmãos do Buriti, Miranda e Bodoquena, e procura reverter o despreparo de proprietários e trabalhadores na incidência de incêndio florestal em propriedades privadas e em unidades de preservação ambiental.

De acordo com o comandante da unidade, major Claudiney da Silva Quintana, a meta é capacitar 600 pessoas neste ano. O trabalho começou no fim de março, quando a unidade recebeu do Ministério da Justiça, parceiro do projeto, o veículo utilizado para o deslocamento da equipe na zona rural. “Já atingimos 350 instruendos nesse período, superando as expectativas”, destaca o comandante.

Responsável pelo combate ao fogo em uma área de aproximadamente 30 mil quilômetros quadrados, o 1º Sub Grupamento de Bombeiros não consegue atender todas as solicitações recebidas, devido ao excesso de focos nessa época do ano, tendo que priorizar aqueles próximos à cidade ou os que, mesmo não tão próximos, permitam acesso a veículos sem tração nas quatro rodas. Em regiões mais distantes e de difícil acesso, o atendimento fica, muitas vezes, prejudicado. 

O programa de instrução inclui primeiros socorros, táticas de combate a incêndio, manuseio de fogo, com uma série de ações que devem ser tomadas de maneira preventiva e na contenção e extinção de incêndios. O público alvo são pessoas que vivem, trabalham ou estudam em localidades de áreas de conservação, pousadas e fazendas com ao menos dez funcionários. Em Bodoquena, por exemplo, um dos lugares de instrução foi uma localidade indígena no parque da Serra da Bodoquena, popularmente conhecida como “campo dos índios”, que, conforme o major Quintana, costuma sofrer queimadas no período de seca.

Na mesma região já funcionam brigadas, também treinadas pelo Corpo de Bombeiros, em parceria com o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente (Ibama). Há uma unidade desse tipo sediada em Bonito e também outra equipe em Miranda, onde quarenta integrantes fixos da brigada estão em prontidão para atendimento desse município e de Bodoquena e Aquidauana. Pelo menos até novembro o grupo está em estado de alerta para atender ocorrências.

O comandante Quintana explica que, com a capacitação do pessoal que vive nas pousadas e fazendas, tem-se um contingente ainda maior de pessoas em condições de dar um primeiro combate quando ocorre um foco de queimada. “Treinados, eles podem tomar essas primeiras medidas. Eles recebem orientação para fazer a contenção de focos de incêndio, sobre o uso do abafador, da bomba costal, sobre os cuidados para verificar as condições do vento e não ficar cercado pelo fogo”, explica. “Existe fazenda em que os bombeiros levariam até duas horas e meia, três horas para chegar, por causa da distância. E o próprio fazendeiro ou o funcionário pode pegar o tratar e já fazer o aceiro, para que o fogo não saia do controle”.

O subgrupamento conta com um grupo fixo de cinco sargentos bombeiros que atuam diretamente no programa de instrução. Soldados e cabos são integrados à equipe, em forma de rodízio, para também adquirir a didática de trabalho junto à comunidade rural, com o cuidado de traduzir a linguagem técnica para a realidade de quem vive no campo.

 Para as ações de capacitação dos funcionários das pousadas, o 1º Subgrupamento associa o trabalho obrigatório de vistoria que é necessário para o funcionamento do negócio. Já nas fazendas, a atuação começou por proposição do Corpo de Bombeiros e hoje já existe uma grande demanda dos próprios fazendeiros. “Com a extensão do período de seca, eles nos procuram para participar”, informa o comandante.

Cada treinamento tem duração de três dias. Normalmente, são ministrados dois por semana, mas o número aumentou nesse inverno seco e a unidade militar precisou fazer um esforço extra para formar duas equipes de trabalho.

No início desta semana, foi feito programa de instrução na Fazenda Santa Isabel. Na semana passada, na fazenda Rio Negro e em uma escola municipal rural. Na próxima semana, mais duas fazendas de Aquidauana serão visitadas, e já existe agenda também para a semana seguinte, logo após o feriado do Dia da Independência.

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