Davi Yanomami recebe o prêmio Right Livelihood, o “Nobel Alternativo”

O renomado xamã Yanomami Davi Kopenawa, o “Dalai Lama da Floresta”, recebeu o prêmio Right Livelihood, conhecido como o “Nobel Alternativo” nesta quarta-feira, 04 de dezembro. A cerimônia ocorreu em Estocolmo e foi o último evento de uma programação de 10 dias de celebrações na Alemanha, Suíça e Suécia.

Ao receber o prêmio, Davi disse: “Quero ajudar meus irmãos indígenas pedindo às autoridades internacionais que pressionem o governo do Brasil a demarcar a terra de outros povos indígenas. Eu sempre lutei pelos direitos do meu povo Yanomami e dos Ye’kwana. Este prêmio é uma nova arma para fortalecer a luta de nosso povo.”

Davi liderou por 20 anos a campanha de seu povo pela demarcação de sua terra que forma hoje, junto do território Yanomami da Venezuela, a maior área de floresta tropical protegida por indígenas em todo o mundo.

Davi Yanomami segurando o prêmio Right Livelihood – Foto: Divulgação

Davi é o presidente da Hutukara, uma associação que defende os direitos do povo Yanomami. Ele viajou para fora do Brasil pela primeira vez em 1989, quando a Survival International, que ganhou o prêmio Right Livelihood daquele ano, o convidou para receber o prêmio em seu nome na Europa.

Em seguida, a Survival organizou a primeira viagem de Davi aos EUA, em 1991, onde conheceu o então Secretário Geral da ONU, membros da Comissão Interamericana de Direitos Humanos e senadores americanos. Os encontros foram importantes para aumentar a conscientização sobre o iminente genocídio dos Yanomami, à medida que os garimpeiros avançavam na floresta, trazendo epidemias mortais e violência.

Desde então, ele viajou extensivamente, fazendo campanha para proteger a Amazônia da destruição pela mineração, a pecuária, a exploração madeireira, a construção de estradas e também por incêndios.

Em 2010, ele escreveu A Queda do Céu, o primeiro livro de um Yanomami. O trabalho é uma exploração da cosmologia Yanomami, e traz também um relato profundamente comovente da luta de seu povo para sobreviver a epidemias e a violência. O livro foi descrito pelo diretor da Survival, Stephen Corry, como “um dos livros mais importantes do nosso tempo”.

Davi tem sido frequentemente ameaçado por garimpeiros e políticos que visam explorar os recursos do território Yanomami. Ele vive em sua comunidade, Watoriki (a Serra do Vento) fazendo xamanismo. Seu sogro, Lourival, era um dos xamãs Yanomami mais antigos e respeitados. Ele é casado com Fátima e eles têm seis filhos, e vários netos.

Ao longo de sua vida, Davi ganhou muitos prêmios, incluindo o prêmio Global 500 das Nações Unidas, uma menção honrosa do júri do prêmio Bartolomé de las Casas da Espanha e a Ordem do Rio Branco concedido pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso.

Em setembro, quando Davi ficou sabendo que era o vencedor do prêmio, ele disse: “Estou muito feliz – o povo do prêmio não me esqueceram. Chegou na hora. Estou muito contente. Eles confiam muito nas pessoas – em mim e Hutukara – e quem defende a floresta e a planeta terra. Da força para eu continuar a lutar para defender a alma da floresta amazônica.”

“Nós, os povos da planeta, precisamos proteger nosso patrimônio cultural, como Omame [nosso criador] nos ensinou para viver bem cuidando de nosso lugar para que nossas futuras gerações continuaram a usar.”

“Confio muito no trabalho da Survival International que tem 50 anos e que continua a apoiar nós, continua a lutar e ajudar meus parentes.”

O diretor da Survival International, Stephen Corry, disse durante seu discurso em um dos eventos associados ao prêmio: “Nos últimos 30 anos, Davi se tornou o porta-voz de seu povo, da Amazônia, de toda a floresta tropical e dos povos indígenas em geral. E a ameaça à floresta está viva. O atual governo do Brasil está tentando desfazer décadas, gerações de conquistas de direitos dos povos indígenas. Portanto, a ameaça nunca esteve tão viva.”

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