Valdir Gomes procura polícia para registrar ameaças de Alcides Bernal

A briga entre Valdir Gomes e o presidente regional do PP, ex-prefeito de Campo Grande Alcides Bernal, acaba de ganhar mais um capítulo. Alegando sofrer pressão e até ameaças para deixar o partido, o vereador registrou um boletim de ocorrência contra o ex-prefeito na tarde deste domingo (12). Ele, que estava acompanhado do deputado estadual Jamilson Name (PDT), também relata ser vítima de homofobia praticada pelo dirigente.

Valdir já havia anunciado estar de malas prontas para deixar o PP assim que fosse aberta a janela partidária. A sigla vive uma crise nos bastidores, evidenciada por reuniões internas entre lideranças que pedem rumo ao presidente regional.

Vereador chegou à Depac Centro acompanhado do deputado e amigo de longa data, Jamilson Name (PDT) – Foto: Maisse Cunha

Parlamentares, inclusive, levaram a questão – que, temem, custar caro à agremiação nas urnas em 2020 – à executiva nacional do PP. Descontrolado, conta o vereador, Bernal teria exigido, além dele, a saída imediata do deputado estadual Evander Vendramini.

“Ele [Bernal] comprou uma briga que não tinha que ter comprado. Eu tenho família, não vou deixar isso acontecer. Ele está louco e lugar de louco é no sanatório”, declarou ao Midiamax. Durante o fim de semana, de acordo com Valdir, o ex-prefeito teria ofendido inúmeras lideranças. “[Bernal] xingou todos os vereadores”, narra.

‘Assediado’ pelo PSD do prefeito Marquinhos Trad, o vereador, inclusive, fez uma consulta ao TRE-MS (Tribunal Regional Eleitoral) para verificar se uma eventual desfiliação fora da janela partidária poderia ser questionada pela direção estadual. “Procurei o presidente da Câmara e eles vão ter que interferir para resolver”, conta.

Em mensagem enviada pelo WhatsApp, Alcides Bernal afirma que Valdir teria passado de todos limites e ofendido a ética partidária. “Por favor, peça sua desfiliação partidária e siga seu caminho, Valdir. Você é desleal, antiético e covarde. […] Siga seu caminho e não cruze o meu, por favor, será muito triste. Quero que você se desfilie do partido e vá para pu** que pariu”, escreveu.

Desgaste

Cortejado também pelo PSDB, Valdir conta que ainda não tomou uma decisão, mas, depois desse novo impasse com Bernal. Garante que, a princípio, deve permanecer, ao menos até que o TRE-MS se pronuncie. Ele afirma que um dos motivos para o desgaste com o presidente regional da sigla seria sua proximidade com o prefeito Marquinhos Trad.

“Eu não vou sair, ele [Bernal] não me deu um centavo do partido para me eleger. Se eu tiver que sair, vou perder nas urnas e vou embora para casa. Se a população me mandar embora, eu vou, mas por ele não”, promete.

Além de Valdir, sua correligionária Dharleng Campos também está de malas prontas e pode desfalcar ainda mais o partido de Bernal na Câmara Municipal de Campo Grande.

“Nós não estamos participando das decisões e isso já faz muito tempo. Nós não somos chamados para conversar, para participar das decisões que são tomadas dentro do partido. Isso infelizmente não acontece”, se queixa Dharleng. “Há uma crise. Está bem claro que existe”.

Em março, grupo de lideranças da sigla se reuniram na Assembleia Legislativa para cobrar uma posição de Bernal sobre a organização da legenda para 2020, ondedemonstraram com clareza insatisfação com a direção estadual. Em meio à crise, Bernal conversou com Evander Vendramini e com Gerson Claro e garantiu que não iria “garantiu que iria se ajoelhar para vereador”.

Alcides Bernal

“Ele, como cidadão, se sentiu-se ameaçado, tem direto de procurar polícia e registrar boletim de ocorrência, agora, vai ter que entender que toda medida adotada precisa ser respaldada por situações concretas, senão é denunciação caluniosa. Não pode usar instituição pública para fazer farol”, rebate.

Na análise do ex-prefeito da Capital, o registro da suposta ameaça – que ele nega – não passaria de uma manobra do vereador para sustentar seus argumentos na corte eleitoral. “Eu, Alcides, Bernal, asseguro, na condição de presidente regional do PP, que não questionarei seu mandato judicialmente”, esclarece. Com informações do Midiamax

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