Isaías Furtado, do bar “Esquina 20”, morre aos 80 anos em Campo Grande

Isaías José Furtado, ex-proprietário do bar ‘Esquina 20?, faleceu na noite da última terça-feira (16) em decorrência de complicações do Alzheimer, doença degenerativa. O bar, localizado na junção das ruas 13 de Junho e 7 de Setembro, foi um marco do lazer de vários campo-denses durante 24 anos até fechar suas portas em julho de 2012. Isaías estava internado na Santa Casa de Campo Grande após sofrer dois AVC’s (Acidente Vascular Cerebral).

“Zazá”, como era conhecido carinhosamente, nasceu em 18 de julho de 1938, e se mudou de São Paulo para Campo Grande em meados de 1980. Com experiência ao trabalhar como garçom, passou a servir no bar “Taboquinha”. Depois, fundou o “Esquina 20”, emblemático bar no centro que exalava pluralidade de clientes.

Dono de um dos bares mais notórios da região central faleceu em decorrência de complicações do Alzheimer na última terça-feira (16) – Foto:  Arquivo Pessoal

No estabelecimento, faziam presentes desde estudantes a senhorzinhos humildes, de desembargadores a artistas, como Almir Sater e Sérgio Reis. Entre os atrativos pelo qual era conhecido estavam a cerveja extremamente gelada, pipoca na cumbuca e amendoim, sempre reabastecidos, e as tradicionais bacalhoadas e feijoadas do sábado.

Muitos campo-grandes viram a história do bar evoluir durante os 24 anos de funcionamento. Alguns deles, começaram a ir com os pais, e continuaram a frequentar por anos até a vida adulta. Em 2012, o proprietário do prédio alugado por Zazá e localizado entre a 13 e a 7 faleceu e foi ofertada a compra do imóvel pela família, que não foi possível e o bar fechou.

Internação

Mesmo com abaixo assinados de clientes e um possível novo ponto em outro endereço, a família decidiu encerrar as atividades devido ao estado de saúde de Zazá, com agravamento do Alzheimer, doença neuro-degenerativa que provoca o declínio das funções cognitivas.

Há cerca de 2 meses, Isaías foi internado na UPA do Bairro Tiradentes para tratar uma constipação intestinal. Retornou para casa, mas pouco tempo depois teve de ser internado novamente pelo mesmo motivo. Na segunda vez, voltou semi paralisado e se alimentando por sonda.

Com o agravamento do quadro, a família o transferiu para a Santa Casa de Campo Grande onde, em 2 dias de internação, foi constatado que havia sofrido 2 Acidentes Vasculares Cerebrais. Durante a internação, segundo a neta Karen Paroni Ratier, ele reconhecia as vozes familiares e se emocionava.

De mãos atadas

A filha, Sueli Levandoski Furtado, levava o chamamé, uma das paixões de Isaías enquanto garçom, e segurava suas mãos. A música, o fazia mexer os pés, mesmo que sutilmente. E assim, Zazá partiu às 21h07 da última terça-feira (16) após uma insuficiência respiratória, conta a neta. Segurou as mãos da filha e da esposa, Lu, com quem viveu mais de 20 anos, respirou duas ou três vezes, e faleceu.

“O legado que o meu avô deixa é a pipoca gostosa, a cerveja gelada, o carinho com cada cliente. O pirulito de coração que presenteava as crianças e como tirava clientes para dançar o seu chamamé. Alegre e desbocado. O seu legado foi muito maior do que a dor que estamos sentindo agora. Certamente será lembrado por muito tempo”, relembrou a neta Karen Paroni.

O velório de Isaías José Furtado acontece no Cemitério Parque Montes da Oliveiras, localizado na Av. Guaicurus, 6366 até 16h30 desta quarta-feira (17), horário do sepultamento neste mesmo cemitério. A família convida amigos, clientes e frequentadores do bar a se despedir e homenagear o “Zazá do Esquina 20”. Com informações do Midiamax

Sem Comentarios

2010 © Gazeta do Pantanal - Campo Grande - MS - www.gazetadopantanal.com