ONU: a cada dez pessoas assassinadas no Brasil, sete são negras

No Brasil, os negros têm 12 vezes mais chance de serem assassinados do que não negros, aponta a ONU por ocasião do lançamento da campanha Vidas Negras, que pede o fim da violência contra os jovens afrodescendentes no país.

De cada dez pessoas assassinadas no Brasil, sete são negras, segundo os dados apresentados pelo escritório brasileiro da ONU nesta terça-feira (07/11). Entre os jovens, de 15 a 29 anos, um negro é morto a cada 23 minutos.

O índice de homicídios de cidadãos negros no país aumentou 18% de 2005 a 2015

O índice de homicídios de cidadãos negros no país, onde mais de 50% da população é afrodescendente, aumentou 18% de 2005 a 2015, enquanto entre os brancos diminuiu 12%.

O objetivo da campanha Vidas Negras é “sensibilizar a sociedade, gestores públicos, sistemas de Justiça, setor privado e movimentos sociais sobre a importância das políticas de prevenção e enfrentamento da discriminação racial”.

Segundo a ONU, o racismo é “uma das principais causas históricas da situação de violência e letalidade a que a população negra está submetida” no Brasil.

A campanha está vinculada à Década Internacional de Afrodescendentes, uma iniciativa que recebe grande impulso da ONU no país que possui a segunda maior população negra em todo o mundo, atrás apenas da Nigéria. A iniciativa conta com diversos vídeos e peças publicitárias distribuídas gratuitamente pela ONU a meios de comunicação.

“Com a campanha Vidas Negras, a ONU convida brasileiras e brasileiros a se engajarem e promoverem ações que garantam o futuro de jovens negros”, afirmou o coordenador da ONU no Brasil, Niky Fabiancic.

A ONU mencionou um levantamento do governo federal segundo o qual 56% dos brasileiros concordam com a afirmação “a morte violenta de um jovem negro choca menos a sociedade do que a morte de um jovem branco”. Para Fabiancic, isso é inaceitável.

Sem Comentarios

2010 © Gazeta do Pantanal - Campo Grande - MS - www.gazetadopantanal.com