NOTA DA FETEMS sobre as manifestações no Brasil

Em defesa da Democracia

A FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) e os seus 72 SIMTEDs (Sindicatos Municipais dos Trabalhadores em Educação) associados vêm, por meio desta nota pública, ressaltar o seu posicionamento em relação às manifestações que estão acontecendo pelo Brasil afora, e reforçar quais são as suas bandeiras de luta em nível nacional e estadual.

Na nossa opinião, a juventude está mostrando que não quer compartilhar dos valores individualistas, consumistas e utilitaristas. O movimento é progressista por natureza e, agora, tem que saber lidar com uma ameaça feroz: a direitização.

Nossa luta deve continuar sendo a de romper barreiras entre ricos e pobres, quebrar os muros entre centro e periferia, consolidar o povo como um ator político de importância ímpar, e lutar por um Brasil com justiça social, sem desigualdade e com oportunidades iguais para todos e todas.

Assistimos, com indignação e perplexos, às cenas de manifestantes ajoelhados, gritando pela não violência, cantando o hino nacional e, mesmo assim, sendo atingidos covardemente pelos policiais com spray de pimenta, gás lacrimogêneo e balas de borracha. Esse ato repressivo, que nos lembra a época da ditadura, deixou centenas de feridos e um rastro de destruição.

Sabemos que a redução da tarifa dos transportes não é o principal fato que move as manifestações, e sim o fato de o povo estar cansado de esperar que o poder público tome iniciativa e faça, de fato, uma reforma para implantar políticas públicas eficientes para a mobilidade urbana.

Os trabalhadores e trabalhadoras do Brasil não aguentam mais enfrentar longas e intermináveis filas de espera por ônibus, trens e metrôs, sempre lotados e de péssima qualidade, para ir e voltar do trabalho.

Assim como a CUT Nacional e a CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), reforçamos a necessidade e a exigência de que os poderes públicos criem canais de diálogo e de negociação com a sociedade para, juntos, debatermos e encontrarmos as saídas para as questões reivindicadas.

Além disso, conclamamos os manifestantes para que também levantem as nossas bandeiras de luta: a demarcação de terras indígenas, a reforma agrária, o investimento de 10% do Produto Interno Bruto e 100% dos royalties do petróleo na Educação. Questões emergenciais e que devem ter toda a atenção do poder público.

Inclusive, nos dias 19, 20 e 21, parte da direção da FETEMS está em São Paulo, participando da Conferência Nacional de Educação, organizada pela CUT (Central Única dos Trabalhadores), reforçando essas bandeiras de luta.

Nossa posição sempre será em defesa da liberdade das manifestações, mesmo sabendo que nelas existem pessoas que deturpam os objetivos. Mas, essas são exceções e não justificam a criminalização de atos legítimos. O uso descabido da força policial não contribui em nada com o processo.

Direção da FETEMS e dos 72 SIMTEDs

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